REUTERS/Jean-Paul Pelissier
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Em novo comunicado, Ghosn nega que família tenha auxiliado sua fuga do Japão

Na segunda declaração desde que escapou da prisão domiciliar em direção a Beirute, no Líbano, executivo diz que planejou tudo sozinho

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2020 | 13h08
Atualizado 07 de janeiro de 2020 | 11h42

No segundo comunicado que divulgou desde que escapou da prisão domiciliar, em Tóquio, na última segunda-feira, 30, o ex-todo-poderoso da aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, negou que sua família tenha tido participação em sua fuga para Beirute, no Líbano. "As alegações da mídia que minha esposa Carole e outros membros da minha família tiveram um papel importante na minha partida são falsas. Eu fui o único que organizou minha partida", disse a nota divulgada nesta quinta-feira, 2.

A fuga do Japão é o mais novo capítulo na saga de Carlos Ghosn com a Justiça japonesa, que começou em novembro de 2018, quando ele foi preso pela polícia acusado de ocultar parte de seu patrimônio. Ele ficou meses na prisão até conseguir, em um acordo de US$ 14 milhões (cerca de R$ 56 milhões), migrar para a prisão domiciliar. Apesar de as acusações da promotoria japonesa terem sido feitas 13 meses atrás, ainda não havia perspectiva de um julgamento em Tóquio.

A fuga de Ghosn do Japão ainda é cercada de dúvidas. Segundo diversas notícias divulgadas até agora, o executivo teria usado um passaporte francês que tinha para usar no dia a dia – pois seus demais documentos haviam sido confiscados pela Justiça japonesa – para organizar a escapada da prisão domiciliar. Usando um jato particular, fez escala na Turquia antes de seguir rumo a Beirute. Ele recebeu várias manifestações de apoio do govenro libanês ao longo de 2019.

Líbano recebeu na manhã desta quinta-feira um pedido de prisão da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) contra Carlos Ghosn, afirmou Albert Serhan, ministro da Justiça libanês, à agência de notícias oficial do país, a NNA.

Em entrevista, o ministro libanês afirmou que o governo vai "cumprir suas obrigações" em relação ao alerta da Interpol, sugerindo que Ghosn poderá ser questionado. Mas reforçou que o Líbano e o Japão não têm acordo de extradição. Por isso, disse, está fora de questão de que o país vá entregar o ex-todo-poderoso da Nissan às autoridades japonesas.

Serhan, conhecido pelo estilo descontraído, disse que poderá examinar as acusações contra Carlos Ghosn, em respeito às autoridades japonesas. Segundo ele, uma decisão sobre a abertura de um processo caberá à Justiça libanesa. Um julgamento – e uma possível absolvição – no Líbano seria, de acordo com fontes ligadas ao caso Renault-Nissan, uma das chances para o executivo tentar limpar seu nome.

Conexão na Turquia

A polícia turca prendeu sete pessoas na manhã desta quinta, em uma investigação sobre como Ghosn passou por Istambul a caminho do Líbano depois de fugir do Japão, informou uma porta-voz da corporação. Segundo ela, os quatro pilotos, dois trabalhadores de solo de um aeroporto e um funcionário de transporte de carga devem fazer declarações perante um tribunal nesta quinta.

O site de notícias Hurriyet, citando uma autoridade do Ministério do Interior da Turquia, disse que a polícia de fronteira turca não foi notificada sobre a chegada de Ghosn e que nem sua entrada nem saída foram registradas. Segundo o site, o avião que levou Ghosn chegou às 5h30 da manhã de segunda-feira ao aeroporto de Ataturk, em Istambul, e os promotores ordenaram as prisões efetuadas nesta quinta depois de ampliarem suas investigações.

Dados de rastreamento de voo sugerem que Ghosn usou dois aviões diferentes para voar para Istambul e depois para o Líbano.

As autoridades japonesas permitiram que Ghosn ficasse com um passaporte francês em uma mala trancada enquanto estava sob fiança, disse a emissora pública NHK.

O empresário, que tem cidadania francesa, libanesa e brasileira, foi retirado de Tóquio por uma empresa de segurança privada dias atrás, na conclusão de um plano elaborado durante três meses.

Ghosn foi preso pela primeira vez em Tóquio em novembro de 2018 e enfrenta quatro acusações, incluindo ocultação de renda e enriquecimento pessoal por meio de pagamentos a concessionárias de veículos no Oriente Médio. Ele nega as acusações. /Com informações da Reuters

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