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Em NY, Mantega diz que teme regulação global dos mercados

Ministro da Fazenda pondera que ideal seria nacionalizar bancos 'na marra' para evitar quebra do sistema

Nalu Fernandes, Agência Estado

15 de março de 2009 | 23h09

A nacionalização de bancos e a limpeza de ativos tóxicos são prioridades na busca para o abrandamento da crise internacional, sendo que isso teria que vir antes da adoção de um sistema de regulamentação global dos mercados internacionais. A avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista coletiva concedida em hotel em Nova York. Ele acrescentou que "tem receio" da imposição de um sistema mundial de regulação e diz não ter certeza sobre se um órgão mundial para este fim deveria ser criado. "Neste caso, precisa-se tomar cuidado, pois corre-se o risco de este órgão se tornar como o FMI (Fundo Monetário Internacional), onde o Brasil tem participação (nas cotas) de menos de 2%. E os EUA têm poder de decisão e veto", ponderou.

 

O ministro afirma que os outros países do grupo BRIC compartilham a mesma posição do Brasil sobre nacionalização de bancos. Ele acrescenta que os Estados Unidos vão ter de fazer nacionalização dos bancos "na marra", para evitar quebra do sistema bancário. "A saída seria a nacionalização, pois ela evitaria o problema de se saber como comprar os ativos tóxicos". O ministro reitera que a lista de prioridades para os países em meio à crise global deveria ser encabeçada pela nacionalização dos bancos, seguida da limpeza de ativos tóxicos para, então, se promover a regulação dos mercados. "Se você marcar mercado agora, você estará quebrado", avaliou. "O mais imediato é fazer intervenção nos bancos e nacionalizá-los para que eles voltem a funcionar e dar créditos", acrescentou.

 

Mantega estima que "é possível ter um banco público, nacionalizado que trabalhe de forma eficiente, como ocorre no Brasil. São bancos que dão lucro e têm ações no mercado". O ministro diz não "ter dúvidas" de que haverá regulação de mercados, criando registro de fundos de investimento, fundos de hedge e operações com derivativos em escala global, mas alertou que se trata de uma questão para o médio prazo. "Eu tenho receio de impor uma regulamentação internacional porque este processo, neste primeiro momento, poderia causar uma desalavancagem maior", explicou.

 

Mantega, diferentemente da China, diz ter certeza de que não há perigo em se investir nos títulos do governo dos Estados Unidos. "Mas também não tem lucro nenhum", ironizou. O Brasil, segundo ele, não está preocupado, pois investimento nos treasuries é absolutamente seguro. " O dia em que os EUA quebrarem, quebra o mundo. Aí estaremos todos perdidos", completou o ministro.

  

FMI e fluxo de capitais

 

Mantega revelou que o G-20 estuda uma alternativa para injetar recursos no FMI com objetivo de que o Fundo repasse os recursos para os países emergentes em face da redução de fluxos de capitais. O ministro enfatizou a necessidade de "colocar mais ativos para países emergentes". "Houve a saída de capitais de países emergentes rumo aos EUA e Japão, o que gerou um desbalanceamento que ajuda a deprimir o comércio mundial".

 

O ministro, no entanto, diz acreditar que há uma alternativa ao aumento de capitalização, uma vez que desta forma, os países que injetariam recursos continuariam com os mesmos poderes reduzidos de votos como é atualmente. A alternativa, diz Mantega, seria uma aplicação. O FMI, para ele, é um banco como qualquer outro. Ele cita que há uma linha de aplicação no FMI, segundo a qual, o doador do recurso teria poder sobre o uso da mesma e não ficaria condicionado à cota de votos.

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