Jacky Naegelen/Reuters
Jacky Naegelen/Reuters

Em Paris, hotéis e lojas já atendem em português

Com crescimento de 10% no número de turistas brasileiros, Paris recorre à grande colônia portuguesa para atender à nova clientela

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

Destino mais procurado por turistas, à frente dos Estados Unidos e da Espanha, a França está se adaptando aos poucos à mudança progressiva no perfil de seus visitantes. Além de continuar acolhendo milhões de europeus, americanos, japoneses e árabes, Paris agora está aprendendo a lidar com novos perfis de turistas, os oriundos de países emergentes, como China e Brasil.

O número de turistas brasileiros cresceu 10% no último verão. E, de acordo com um relatório da Global Refund, as compras de brasileiros na França aumentaram 5,1% no ano passado, atingindo 37,8 milhões.

De olho na nova demanda, empresas de franceses e de brasileiros começam a oferecer serviços em português para atrair clientes. Um dos macetes já utilizados é empregar funcionários de origem portuguesa, uma colônia forte em Paris desde os anos 70, ou contar com franceses ou brasileiros bilíngues.

Na hotelaria, as opções são variadas. Em um dos grandes hotéis cinco estrelas da capital, o George V, o português já aparece como uma das línguas faladas habitualmente pelos funcionários, ao lado do árabe e do japonês.

Clientes brasileiros. Coincidência ou não, o número de clientes brasileiros vem crescendo. Entre 2009 e 2010, o aumento no número de turistas de classe A chegou a 20% no hotel. A participação de brasileiros segue marginal, de 4% - ou 10 vezes menos que a de americanos, os maiores frequentadores.

Mas a tendência é de crescimento, pelos prognósticos de Christopher Norton, diretor-gerente do hotel. Mas receber atenção em português não é privilégio dos mais abastados.

Opções mais em conta, como o Hotel du Brésil, um duas estrelas situado nas imediações do Panthéon, ou o já conhecido dos jornalistas Victoria Châtelet, três estrelas próximo ao Sena, também acolhem brasileiros com um sotaque familiar.

Transporte especial. Quem procura transporte especial em Paris também pode encontrar companhias com serviços em português. Em geral, são empresas pequenas e médias montadas por brasileiros especializados em atender compatriotas. É o caso da Duga, que presta serviço personalizado, com todos os funcionários bilíngues.

A mesma estratégia também pode ser encontrada no comércio. Situada na Rue de Rivoli, bem em frente ao Museu do Louvre, a Benlux, loja de cosméticos fundada em 1959 por monsieur Benedek, descobriu há décadas o filão dos turistas. Dos 150 funcionários, 10% são brasileiros, uma forma de garantir a boa comunicação.

"O mais importante é falar a língua, que é um diferencial. O cliente fica muito mais encorajado quando se sente compreendido", ensina Osmar Celice, 59 anos, relações públicas da empresa. A estratégia vem rendendo frutos.

Em 18 meses, Celice vê um acréscimo de 40%, "sem dúvida", da clientela brasileira, que hoje varia entre 200 a 250 por dia. "Os brasileiros estão chegando com um poder aquisitivo maior", diz.

Com um pouco de sorte, é possível encontrar restaurantes, cafés, ônibus de turismo e barcos com serviços em português. Isso porque, ao contrário de países como o Reino Unido, de onde o fluxo de turistas para a França caiu 49% em 2009, o do fluxo de turistas do Brasil voltou a crescer: 10% só no último verão europeu, em relação ao ano anterior.

Em alta

20 %

foi o quanto cresceu o número de turistas brasileiros no hotel cinco estrelas George V entre 2009 e 2010

40 %

foi o quanto cresceu a clientela brasileira na loja de cosméticos Benlux, em 18 meses

10 %

foi o quanto cresceu o fluxo de turistas do Brasil para a França no último verão

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