Maira Vieira/ESTADÃO
Maira Vieira/ESTADÃO

Em pesquisa, 41% dizem que querem comprar carros

Consumidores adiam compras para os próximos seis meses; indústria espera vendas ainda mais fracas em 2016

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2016 | 09h46

Em pesquisa recém-concluída pela Officina Sophia Retail sobre o que as pessoas gostariam de comprar, mas estão adiando para os próximos seis meses, 41% responderam que os automóveis estão no topo da lista.

Foram entrevistadas mil pessoas com mais de 18 anos, pela internet, e as respostas eram espontâneas. Na sequência dos itens mais citados aparecem celular (31%), roupas e calçados (30%) e TV (27%).

“Há uma demanda reprimida por diversos produtos, dos mais caros aos de menor valor”, diz Valéria Rodrigues, sócia da Officina Sophia Retail.

Quando questionados sobre o que efetivamente acreditam que poderão comprar, 24% responderam automóveis, 18% roupas e calçados, 16% celulares e 12% aparelhos de TV. A pesquisa foi feita em maio. 

Vendas fracas. Após os resultados ruins nos primeiros cinco meses do ano, as montadoras revisaram as projeções feitas em janeiro e preveem um 2016 pior que o esperado. As vendas ficarão na casa de 2 milhões de unidades, as mais baixas em uma década. A queda prevista passou de 7,5% para 19% em relação a 2015. A produção deve cair 5,5%, para 2,3 milhões de veículos, voltando aos níveis de 12 anos atrás. Antes, o setor calculava quase empate com o ano passado.

O dado de produção só não será pior porque as exportações estão ganhando fôlego. A previsão de aumento de 8% feita pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) foi revista para 21,5%, o que deve somar cerca de meio milhão de unidades, melhor resultado desde 2013.

“O esforço das empresas e os novos acordos comerciais feitos pelo governo estão surtindo efeito e as exportações mostram um viés positivo”, avalia o presidente da Anfavea, Antonio Megale. Neste ano, até maio, as vendas externas cresceram 21,8% em relação ao mesmo período de 2015. Já a produção e as vendas caíram 24,3% e 26,6%, respectivamente.

Os novos números estão mais em linha com as previsões que já vinham sendo feitas por consultorias e até montadoras. A revisão demorou a ser feita pela Anfavea, avaliam analistas.

Megale acredita que apenas no fim do ano começará a ocorrer uma recuperação do mercado interno, que deve ser mais expressiva a partir de 2017. “Os primeiros sinais do novo governo são de um pouco mais de previsibilidade”, diz o executivo, que elogia medidas anunciadas até agora pela equipe econômica. “O que o setor precisa é de estabilidade e de confiança.” Ele também afirma que não é momento de pedir qualquer incentivo governamental.

Outro dado destacado por Megale para a retomada do mercado é que a venda média diária está estável desde o início do ano, em cerca de 8 mil unidades - ou seja, parou de cair. Os estoques caíram de 45 para 42 dias de vendas, mas ainda muito são elevados, segundo o executivo. Montadoras e revendas têm 236,4 mil veículos nos pátios.

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