Em protesto, funcionários da Varig pedem apoio do governo

Cerca de 600 funcionários da Varig promoveram hoje uma manifestação no aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, para cobrar apoio do governo federal. Os empregados reclamaram que fizeram sacrifícios, como aceitar reduções de salário, mas o governo "virou as costas" para o problema, segundo os dizeres de uma das faixas empunhadas pelos manifestantes. O protesto começou em frente ao aeroporto, para sensibilizar os passageiros, e, depois, os empregados deram um abraço simbólico na sede da companhia. Nos discursos, líderes dos trabalhadores lançaram mão de um discurso sentimental, lembrando que a Varig transportou os exilados pelo regime militar, além dos maiores ídolos do esporte brasileiro. Uma comissão de funcionários prometeu ir a Brasília na semana que vem promover novo protesto. Governo receberá avaliação da empresa na próxima semana A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que espera que na próxima semana o governo tenha concluído uma avaliação da situação da Varig para apresentá-la ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra afirmou também que não vê, no curto prazo, risco de paralisação dos vôos da Varig. Contudo, ainda hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse mais uma vez que o Ministério da Fazenda não dará dinheiro para a Varig. "Não cabe ao governo dar dinheiro para uma concessão, porque é dinheiro do contribuinte", afirmou. Segundo Mantega, o governo tentou ajudar pelo Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas "não existe no Orçamento da União recursos para isso". Ele afirmou ainda que o assunto deve ser tratado pelo Ministério da Defesa, e não pela Fazenda. "Não vejo o que o governo poderia estar fazendo sobre a Varig", afirmou. Na quarta-feira, o ministro já havia dito que, se a Varig quisesse um empréstimo do governo, teria que se dirigir ao BNDES porque o Ministério da Fazenda não empresta dinheiro. Ele fez essa afirmação em resposta a uma pergunta de jornalistas se o governo ajudaria a companhia aérea com aporte de recursos. Já o novo presidente do BNDES, Demian Fiocca, limitou-se a afirmar: "Vamos tomar uma decisão técnica sempre dentro das regras de prudência bancária". Fiocca, ao ser novamente questionado se o Palácio do Planalto havia pedido uma atenção especial ao caso da Varig, repetiu que a decisão será técnica. Fiocca, porém, não confirmou nem desmentiu se há negociações entre o BNDES e a Varig porque, segundo ele, o BNDES não comenta casos específicos.

Agencia Estado,

07 Abril 2006 | 19h14

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