'Em quatro meses, fiz inscrição para umas 120 vagas'

Estudei economia na faculdade, então sei que há uma recessão a cada 15 anos, mais ou menos, e que os países se recuperam. Mas, quando essa crise começou, ninguém imaginou que duraria por tanto tempo. Eu me formei em 2010 e consegui três estágios logo em seguida. A ideia era eu me tornar competitivo, mas não funcionou bem assim.

O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2013 | 02h14

Não fui efetivado nessas empresas e comecei a procurar um emprego. Em média, me inscrevia para dez vagas por dia, passava cinco horas preparando meu currículo e elaborando minhas cartas de apresentação. A maioria das empresas que procurei nem sequer respondeu. Nesse período, morava com meus pais, em Londres, e comecei a trabalhar em um pub.

Seis meses se passaram e novos recém-formados começaram a entrar no mercado de trabalho. A busca se tornou ridícula. Foi quando decidi fazer um mestrado. O curso de políticas públicas não foi exatamente uma opção de carreira, mas achei o assunto bastante interessante. Além disso, o curso era barato se comparado aos demais que me interessavam e melhoraria meu currículo.

Quando terminei o mestrado, retomei a busca por um emprego. Em quatro meses, me inscrevi para umas 120 vagas. Apenas 10% das empresas responderam. Passei em algumas fases de seleção, mas a única empresa que efetivamente me ofereceu uma vaga de estágio fica em Berlim, na Alemanha.

Fiz os três meses previstos no estágio, mas, como a empresa não podia me contratar, voltei para Londres - e para a busca por uma colocação no mercado de trabalho. Tudo parecia um grande déjà-vu quando me inscrevi para outra vaga em Berlim: dessa vez um estágio em marketing com duração de seis meses. Dois dias depois, consegui o trabalho. Foi rápido, é assim que as coisas acontecem aqui, é diferente de Londres. Agora, faltam dois meses para meu estágio terminar. Não sei se vão me oferecer uma vaga depois disso. Se não der certo, recomeço a busca novamente.

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