PIB do Brasil no 2º tri só não é pior do que o da Rússia e Ucrânia

PIB do Brasil no 2º tri só não é pior do que o da Rússia e Ucrânia

PIB brasileiro caiu 2,6% no 2º trimestre em comparação ao mesmo período do ano anterior, enquanto Rússia e Ucrânia amargaram recuos de 4,6% e 14,7%, respectivamente

Mariana Sallowicz, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 16h26

A queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,6% no segundo trimestre em relação a igual período de 2014 e a retração de 1,9% na comparação com o trimestre anterior deixaram o Brasil no 33º lugar em um ranking de 35 países, elaborado pela Austin Rating. Nesse levantamento, a agência lista as economias pela variação do PIB em ordem crescente.

A estimativa da agência classificadora de risco é de queda de 2,1% para o PIB de 2015 e retração em 2016 de 0,3%. Se confirmada, a estimativa de diminuição do PIB brasileiro no biênio 2015-2016 será o pior desempenho econômico do Brasil em 85 anos.

"A perspectiva de um pior desempenho em 85 anos vem se materializando a cada mês, a cada indicador. Esse resultado vem de uma ineficiência doméstica, ou seja, problema de gestão interna do País. As principais economias do mundo estão crescendo, exceto Ucrânia e Rússia, que estão em guerra. O Brasil não deveria ser comparado a eles", afirmou o economista-chefe da instituição, Alex Agostini.

Pelo segundo trimestre consecutivo, o Brasil só superou as economias da Rússia e da Ucrânia, que amargaram no segundo trimestre retração de 4,6% e 14,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, respectivamente. Todos os demais Países do ranking tiveram crescimento na mesma base de comparação, com destaque para China (7%), Filipinas (5,6%), Malásia (4,9%), Indonésia (4,7%) e Estados Unidos (3,7%).

De acordo com a Austin Rating, a última vez que o Brasil registrou uma queda do PIB por dois anos consecutivos foi em 1930 (-2,1%) e 1931 (-3,3%). Agostini afirma que o resultado no período refletiu, em parte, o crash da Bolsa de Nova York em 1929 e o ambiente político nacional conturbado com o fim da oligarquia paulista devido a revolução de 1930.

"A semelhança com a situação da década de 30 é mera coincidência, mas o cenário era o mesmo. Após a depressão de 1929, tivemos dois anos de recessão em 1930 e 1931, e havia um ambiente político conturbado, devido a revolução de 1930. Esse cenário atual vale a semelhança: a economia está ruim e há um cenário político conturbado. Se não houver melhora no ambiente político, o cenário econômico não tem como mudar nos próximos 18 meses", analisa.

O economista destaca que, além dos problemas internos, "resultado da política econômica equivocada, da política monetária extremamente leniente nos últimos anos e da política fiscal atabalhoada, que geram a perda de confiança", há o fator China, principal parceiro comercial de commodities do Brasil.

"Isso acentua ainda mais esse cenário negativo do País. Há expectativa de queda de exportações para a China, o que piora ainda mais esse processo de recuperação esperado para 2016/2017". Na visão do especialista, para que ocorra uma melhora, é preciso recuperar a confiança. "Isso passa por um processo muito forte de ajuste do governo, precisa reduzir despesas e retomar a credibilidade".

A Austin Rating destaca que, com o resultado desta sexta-feira, o País ingressa no estado de recessão técnica, que é a ocorrência de mais de dois trimestres consecutivos com taxas negativas no PIB. "Muito provavelmente, o cenário de recessão será confirmado no resultado do acumulado do ano", aponta o ranking.

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