Em recessão, Japão deve adiar aumento de imposto e antecipar eleições

Mercado acredita que aumento vai causar mais estragos à economia japonesa, cujos resultados apresentaram queda em dois trimestres consecutivos; elevação de imposto pode ser postergada para abril de 2017

ANDRÉ ÍTALO ROCHA, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES, Estadão Conteúdo

18 de novembro de 2014 | 04h59

O ministro do Japão, Shinzo Abe, deverá anunciar, ainda nesta terça-feira, 18, o adiamento de um novo aumento do imposto sobre vendas, por enquanto programado para outubro do ano que vem, e uma antecipação para dezembro deste ano das eleições parlamentares. 

Antes disso, alguns dos líderes do governo e de seu partido já manifestam apoio ao primeiro-ministro. O chefe de gabinete do governo, Yoshihide Suga, lembrou que, desde que Abe assumiu o cargo, em dezembro de 2012, a Bolsa de Tóquio tem subido, as empresas estão lucrando mais e o desemprego caiu. "A economia ainda está em um processo de recuperação estável", disse, um dia depois do mercado se surpreender com um recuo de 1,6% no Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, na comparação anualizada. 

Esta foi a segunda vez seguida que o país apresentou queda no trimestre, o que, para economistas, significa recessão técnica. Para Suga, esse mau momento é temporário e foi causado pelo primeiro aumento do imposto sobre vendas, em abril, com a elevação da alíquota de 5% para 8%. 

Está agendado para outubro do ano que vem um novo aumento, dessa vez para 10%. Porém, há uma forte especulação no mercado para que o primeiro-ministro adie este aumento, para evitar mais estragos à economia. 

Etsuro Honda, um de seus conselheiros, acredita que a elevação deveria ser postergada para abril de 2017.  O primeiro-ministro tem dito repetidamente que vai decidir sobre o segundo aumento com base na conjuntura econômica. 

Com pesquisas que mostram que os eleitores são favoráveis ao aumento previsto, já que ele seria destinado a investimentos sociais, Abe planeja antecipar as eleições parlamentares para manter uma maioria na câmara baixa. Assim, Abe poderia continuar no poder e avançar com políticas impopulares, como reiniciar reatores nucleares e expandir o papel dos militares.  

Os parlamentares do Partido Liberal Democrata, do qual Abe faz parte, acreditam que as eleições serão como um referendo para a manutenção ou não da política econômica do primeiro-ministro. "Esta é uma etapa crucial para Abenomics (apelido dado à política econômica de Abe)", disse o secretário-geral do partido, Sadakazu Tanigaki. 

Estímulos. Embora a economia do Japão tenha recuado no terceiro trimestre e decepcionado o mercado, o país não precisa de mais estímulos monetários, disse o economista Etsuro Honda, um dos principais conselheiros do primeiro-ministro Shinzo Abe.

Apesar da recessão, Honda não vê motivos para mais medidas de relaxamento monetário. Na sua avaliação, o que deve ser feito é adiar para abril de 2017 o próximo aumento de imposto sobre vendas, por enquanto previsto para outubro de 2015. Para ele, não há diferença nas formas como o banco central e o governo percebem a atual conjuntura econômica.

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