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Em recuperação

A Petrobrás vai mostrando que é maior do que os desmandos dos governos do PT que a transformaram em empresa à beira de um enfarte

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2015 | 21h00

A Petrobrás vai mostrando que é maior do que os desmandos dos governos do PT que a transformaram em empresa à beira de um enfarte.

Conduzida pelo administrador de empresas Aldemir Bendine, conseguiu publicar o balanço auditado de 2014 no final de abril. Semanas depois, divulgou o resultado do primeiro trimestre de 2015. As demonstrações flagraram uma empresa gravemente deteriorada na sua capacidade de fazer caixa e de captar recursos para investimento.

A corrosão do patrimônio da empresa não aconteceu apenas em consequência da roubalheira sistemática e de decisões estapafúrdias e irresponsáveis, como a da compra da Refinaria de Pasadena. A reavaliação para baixo a preços de mercado do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e do 2.º trem da Refinaria Abreu e Lima (Rnest) abriu um rombo de R$ 31 bilhões. A corrosão também foi produzida pela política populista que achatou os preços dos combustíveis e consumiu outros R$ 60 bilhões desde 2008.

A decisão de recompor o Plano de Negócios de 2015 a 2019 com cortes de até US$ 57,7 bilhões nos investimentos anteriormente previstos e de obtenção de receitas extras de US$ 15,1 bilhões, para o período 2015-2016 com vendas de ativos, tem por objetivo reduzir cada passo da empresa para o real tamanho de suas pernas. 

É compreensível que não tenha ficado claro o plano de venda dos ativos porque a diretoria não pretende permitir ações de interessados destinadas a derrubar seus preços nem a reação de forças corporativistas que não se conformam com o enxugamento. Mas este parece um objetivo ambicioso numa conjuntura de baixa dos ativos de petróleo e gás em todo o mundo.

Um dos pressupostos do novo plano de negócios é a decisão de praticar preços alinhados aos vigentes no mercado internacional. É um propósito vago, que precisa de mais esclarecimentos. A direção da Petrobrás vem dizendo que não pretende paridade instantânea, como a praticada nos Estados Unidos. Mas também não avançou o critério que comandará os reajustes. Sem a condução de uma política de preços realista, que garanta um fluxo de caixa compatível com seus projetos de investimento, não será possível levar adiante o programa de negócios agora revisto. Daí por que o desconhecimento desse critério impossibilita uma avaliação adequada do novo plano.

Parece inevitável a recapitalização da empresa, processo que só poderá ser colocado em curso a partir do momento em que o saneamento tiver sido concluído. Algumas iniciativas de fora do âmbito do governo começam a mobilizar forças políticas destinadas a rever o marco regulatório do pré-sal que tem engessado a Petrobrás e, também, o cronograma de produção de petróleo e gás. Está prevista votação no Senado, em regime de urgência, de projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que tem por objetivo eliminar a exigência de que a Petrobrás participe como operadora única de todo o projeto do pré-sal e com participação mínima de 30% nos investimentos. 

Apesar das dúvidas não dirimidas, a recuperação e os horizontes da empresa ficaram mais claros do que estavam há apenas três meses. Mas a Petrobrás continua combalida.

CONFIRA:

Aí está a evolução dos resultados das contas públicas.

Efeito tarifaço

Apesar da forte quebra da arrecadação do governo federal, o resultado das contas do setor público em maio melhorou sensivelmente: déficit de R$ 6,9 bilhões, 37,5% inferior ao de maio de 2014. Ao longo de todo este ano, o melhor comportamento está sendo o dos Estados e municípios. O principal fator que vem ajudando nesse desempenho é o aumento dos preços da energia elétrica e dos combustíveis (tarifaços), que ajudou a puxar para cima a arrecadação de ICMS.

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