Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Vale cita crise política e econômica como fator de risco

Em avaliação de riscos enviada à SEC, a CVM dos EUA, mineradora diz que cenário de instabilidade pode afetar seus negócios

Mariana Durão, Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

31 Março 2016 | 22h07

RIO - A Vale apontou a crise política e econômica do Brasil como um dos fatores de risco para a mineradora em seu relatório 20-F, documento encaminhado anualmente à Securities and Exchange Comission (SEC), o órgão regulador do mercado norte-americano, onde a brasileira tem ações em bolsa.

A companhia ressalta que o cenário de instabilidade pode afetar negativamente seus negócios e os preços de seus papéis. A mineradora reconheceu ainda que poderá fazer uma provisão para perdas com a Samarco, caso a controlada não volte a operar ou se torne incapaz de cumprir o acordo fechado com as autoridades para reparar o acidente ambiental, um dos maiores da história do País. 

A Vale lista vários pontos políticos que podem influenciar diretamente ou pela reação que o governo brasileiro terá em relação a eles, como “a instabilidade política resultante de alegações de corrupção envolvendo partidos políticos, autoridades ou outros funcionários públicos eleitos.” A previsão da mineradora é que a crise deve ter continuidade ao longo deste ano. 

“As investigações sobre corrupção em curso (Operação Lava Jato da Polícia Federal) resultaram em acusações contra servidores públicos e membros de vários partidos políticos”, diz o documento, um verdadeiro raio-x das companhias listadas nos EUA. 

Na avaliação de riscos feita pela Vale para a SEC, a companhia afirma que a instabilidade política poderá agravar as incertezas econômicas do Brasil. “Os futuros acontecimentos econômicos, sociais e políticos no Brasil poderão prejudicar nossos negócios, nossa condição financeira ou os resultados das operações, ou fazer com que o valor de mercado de nossos títulos diminua”, diz. 

Acidente. A Vale admite que poderá registrar uma provisão relativa ao desastre da Samarco caso a controlada seja incapaz de retomar suas operações ou de cumprir suas obrigações de financiamento no acordo firmado em março com o governo federal e os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, os mais atingidos pela ruptura da barragem do Fundão. 

No momento, entretanto, a Vale diz não esperar registrar uma provisão nas suas demonstrações contábeis. A Samarco está impedida de operar desde o acidente. “A administração da Samarco está desenvolvendo um plano que lhe permita retomar as operações, mas a possibilidade, a época e o alcance desse reinício permanecem incertas”, destaca a companhia no documento. 

A mineradora também reconhece que, como acionista da Samarco, sua reputação, em especial nas comunidades atingidas pela tragédia, foi negativamente afetada pela ruptura da barragem. 

Além da imagem, a operação do complexo de mineração da Vale em Mariana também foi atingida. A expectativa é de uma queda de 9 milhões de toneladas na produção do complexo em 2016 – no ano passado a perda foi de 3 milhões de toneladas – que a Vale espera ser “parcialmente” compensada pelo aumento de produção de outras minas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.