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Em reunião com Bush, Lula quer confirmar redução de subsídios

País havia sinalizado que poderia aceitar redução para faixa de US$ 13 a US$ 16 bi, como sugerido pela OMC

Tânia Monteiro e Patrícia Campos Mello, do Estadão,

24 de setembro de 2007 | 20h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na noite desta segunda-feira, 24, com o presidente dos EUA, George W. Bush. A expectativa do governo brasileiro é de que o encontro sirva para confirmar a oferta de redução nos subsídios agrícolas sinalizada na semana passada, dando um passo para destravar a Rodada Doha.  "Caso confirmada a aceitação do texto agrícola (sugerido pela Organização Mundial do Comércio) pelos Estados Unidos é muito positiva, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Para o ministro, "Isso será fundamental para concluir a Rodada Doha.  Veja também:  EUA dão sinal positivo sobre subsídio agrícola, diz Amorim  Segundo Amorim, na conversa com Bush, Lula deve dizer que "nós estamos dispostos a negociar e que evidentemente os países em desenvolvimento necessitam de algum tipo de flexibilidade".  Na semana passada, a delegação americana em Genebra sinalizou que os Estados Unidos poderiam aceitar a redução de subsídios agrícolas para a faixa de 13 a 16 bilhões de dólares seguindo sugestão da OMC. Mas fontes do governo americano informam que Bush espera um gesto de liderança de Lula para uma redução também nas tarifas industriais, ou seja, uma aceitação dos países emergentes do texto de abertura do setor industrial, sugerido pela OMC. Amorim, porém demonstrou certa cautela. "Em Genebra houve uma grande reação contra o texto industrial, e não foi tanto por parte do Brasil. O Brasil foi o país que atuou para evitar uma recusa do texto", disse, sem citar a Índia, um dos países que afirmaram que a oferta americana não está necessariamente ligada a uma abertura industrial dos países em desenvolvimento. Segundo Amorim, "realmente há desequilíbrios entre o texto agrícola e o industrial". "Enquanto para os produtos industriais a proposta é muito específica, a dos produtos agrícolas está envolta em nuvens. Uma das definições que o Itamaraty espera é saber dos Estados Unidos se a oferta é reduzir o limite dos subsídios agrícolas para 16 bilhões ou para 13 bilhões, o que estaria mais próximo dos 12 bilhões reivindicados pelo G20. "Mesmo se os Estados Unidos aceitarem os números da proposta agrícola, eles têm uma margem muito grande, entre 13 e 16 bilhões de dólares; a proposta do texto industrial tem uma margem muito menor de flexibilidade." Amorim disse que acha que será possível chegar a alguma conclusão em relação às negociações dos subsídios agrícolas, para beneficiar os países mais pobres. "O presidente Lula está pessoalmente engajado nisso e falou várias vezes com Gordon Brown (primeiro ministro do Reino Unido), vai falar isso com Bush, certamente será um assunto com a chanceler Ângela Merkel (da Alemanha) e nós temos a expectativa de que possamos sinalizar isso agora", declarou Celso Amorim.

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