Mark Schiefelbein/AP
Mark Schiefelbein/AP

Em reunião dos BRICS, presidente chinês pede maior abertura de mercado entre os membros

Xi Jinping, no entanto, reconheceu os desafios representados pela queda no preço das commodities e o aumento doe riscos financeiros

Claudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

03 Setembro 2017 | 14h31

XIAMEN -  O presidente da China, Xi Jinping, defendeu ontem que os cinco países dos BRICS abram suas economias, promovam reformas, criem cadeias de produção globais e surfem na revolução industrial tecnológica para criar novos motores de desenvolvimento. O grupo que impulsionou a expansão mundial na década passada teve performances díspares nos últimos anos, quando China e Índia mantiveram forte ritmo de crescimento, enquanto Brasil, Rússia África do Sul mergulharam na recessão.

No discurso que fez a empresários dos BRICS em Xiamen, no Sul da China, Xi reconheceu que sócios do bloco enfrentaram ventos contrários de intensidade variada. A queda no preço das commodities e da demanda global e o aumento de riscos financeiros representam desafios para os cinco países, afirmou o líder chinês. Entre os que assistiram seu pronunciamento, estava o presidente Michel Temer. 

“Nós devemos aproveitar a oportunidade apresentada pela nova revolução industrial para promover o crescimento e mudar o modelo de desenvolvimento por meio da inovação”, afirmou Xi em um discurso de 45 minutos. “Nós devemos remover os impedimentos para o crescimento por meio de reformas, remover barreiras institucionais e sistêmicas e energizar o mercado e a sociedade, para atingir um crescimento de melhor qualidade e mais resiliente e sustentável.” 

Xi defendeu que os cinco países do BRICS se abram mais para os parceiros do bloco, ampliem seus interesses convergentes e invistam em infraestrutura que possibilidade uma maior integração. “O desenvolvimento de mercados emergentes e em desenvolvimento não é destinado a mexer no queijo de ninguém, mas a tornar a torta do crescimento global maior.”

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Como em muitos de seus pronunciamentos recentes, o presidente chinês condenou o protecionismo e defendeu a globalização. Mas o discurso nem sempre está em sintonia com a realidade de seu próprio país, que mantém vários setores fechados para investimentos estrangeiros. 

O conceito BRIC, sem o S da África do Sul, foi construído em 2001 pelo economista Jim O’Neill, que na época trabalhava no Goldman Sachs. Em sua avaliação, Brasil, Rússia, Índia e China seriam os líderes econômicos do século 21 e a de suas economias seria maior que as do países do G7 em 2035. 

Em artigo publicado no Huffington Post quinta-feira, O’Neill disse que mantinha sua projeção, apesar de a performance do Brasil e da Rússia ter sido decepcionante quando comparada às de suas expectativas de 16 anos atrás. Isso só será possível graças a força do país de Xi Jinping, observou.

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“A China foi tão bem que sua economia agora é maior que as do Brasil, Rússia, Índia e África do Sul combinadas e, em um futuro não muito distante, ela vai se tornar duas vezes maior. Portanto, não há dúvida: a China domina os BRICS economicamente”, escreveu. 

O presidente da consultoria Eurasia, Ian Bremmer, divide o bloco em dois grupos. No primeiro, estão a China e a Índia, que aproveitaram a globalização para se integrar a cadeias globais de produção. O outro reúne os que usaram a globalização para vender recursos naturais –Brasil, Rússia e África do Sul. De longe, a maior história de sucesso é a China, que se transformou na segunda maior economia do mundo e em seu primeiro exportador. 

Em seu discurso, Xi Jinping também defendeu que o BRICS amplie sua influência global, com a criação de parcerias com outros países, e se transforme em uma plataforma para a cooperação Sul-Sul e o diálogo Sul-Norte. “Nós deveríamos promover a cooperação “BRICS Plus” e construir uma rede ampla e diversificada de parcerias de desenvolvimento para termos mas mercados emergentes e países em desenvolvimento envolvidos em nossos esforços concertados para cooperação e benefícios mútuos.”

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