Em reunião, Lula e Kirchner discutem comércio

As ameaças de restrição da Argentina às importações de alimentos do Brasil transformaram-se hoje em promessas de incremento comercial entre os dois países. Em reunião no Rio, a presidente Cristina Kirchner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva combinaram iniciativas conjuntas para aumento do intercâmbio de negócios e, como sugestão do dirigente brasileiro, aceitaram que qualquer problema entre os dois países serão divididos entre os dois, por telefone.

JACQUELINE FARID, Agencia Estado

28 de maio de 2010 | 20h17

As informações foram dadas pela presidente argentina após a reunião com Lula, quando ela deixava o Museu de Arte Moderna (MAM) com destino a seu país. Ambos participaram do Terceiro Forum Aliança de Civilizações das Nações Unidas, que será encerrado amanhã. "A reunião foi mais que boa", disse Cristina Kirchner.

Os jornais argentinos e brasileiros noticiaram, ao longo desta semana, que haveria restrições da Argentina às importações de alimentos do Brasil, com possível retaliação brasileira. As medidas já teriam provocado um cancelamento de 25% das compras de alimentos produzidos aqui com destino ao país vizinho. O governo do país negava as medidas. "Não haverá retaliação e sim aprofundamento das relações comerciais, aumento do intercâmbio", disse Kirchner.

Segundo ela, Lula disse que enviará ao seu país uma missão ministerial que incluirá os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miguel Jorge (Desenvolvimento) para discutir as medidas que serão tomadas para o aumento do comércio entre os dois países. O nome do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, também teria sido citado como parte do grupo brasileiro que participará das negociações.

Cristina Kirchner disse ainda que o governo argentino não apresentou pedidos específicos ao presidente brasileiro. "Não houve pedidos, mas o Brasil tem consciência que, por seu volume e importância, precisa ter uma postura mais contemplativa com as economias que não têm essa importância", afirmou.

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