Eric Piermont/AFP
Eric Piermont/AFP

Em saia-justa por causa de celular, Meirelles diz: 'Está tudo calmo no Brasil'

Ministro se distraiu durante apresentação em Paris e tirou risos de plateia; chefe da Fazenda mudou tom ao ser questionado sobre delação da JBS

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2017 | 16h05

PARIS - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, escapou de uma saia-justa durante uma apresentação em um seminário realizado na França. Após fazer uma apresentação, Meirelles recebeu alguns questionamentos de presentes. Uma das perguntas, no entanto, ele teve que pedir para que fosse repetida, pois ele havia se distraído com o celular e não a escutou. "Fui ver o que estava ocorrendo no Brasil, mas está tudo calmo por lá", justificou tirando risos da plateia.

Esse episódio ocorreu durante a apresentação "Brasil: o retorno ao crescimento", realizado em Paris e organizado pela agência de apoio à internacionalização da economia francesa, Business France. Em seguida, Meirelles foi até a sede da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para falar com jornalistas.

Em Paris, Meirelles cria conta no Twitter para 'debater rumos do Brasil'

Durante o evento, ele enfatizou a importância de empresas francesas que queiram continuar e investir no Brasil. Perguntado sobre por que o perfil do investidor brasileiro é muito voltado para o mercado doméstico e pouco para o exterior, Meirelles apresentou os números brasileiros. Disse que a classe média passou de 68 milhões de pessoas para 125 milhões de 2003 para hoje. "Temos um mercado de consumo que já atingiu 150 milhões de pessoas, é número substancial e justifica os investimentos internos", argumentou.

Além do mais, de acordo com o ministro, o mercado de capitais começou a contar com fontes de financiamento, deixando de ter estrutura familiar para passar para a profissionalização. Ele também disse que os bancos brasileiros são muito "grandes e fortes" e que, por isso, até oferecem barreiras para outras instituições que queiram entrar no mercado brasileiro por questões competitivas, mas que a atuação desses bancos fora do País ainda é pequena. "Essa presença internacional vai se tornar uma realidade", previu.  

Delação da JBS. Meirelles adotou um tom sério quando questionado sobre a citação de seu nome em uma conversa entre o presidente da República, Michel Temer, e o empresário da J&F, Joesley Batista. "Soube pelos jornais", afirmou durante entrevista coletiva para jornalistas na sede da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.

OUÇA: A conversa com Temer gravada por Joesley

O tema está entre as 82 perguntas que Temer terá de responder até a próxima sexta-feira à polícia. O trecho do diálogo foi gravado pelo empresário na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu, em Brasília. Na conversa, Joesley defendeu a necessidade de um "alinhamento" com Meirelles". Temer terá de responder agora qual o sentido da expressão alinhamento. Os delegados também querem saber se o presidente autorizou o empresário a apresentar "pontos de interesse" ao ministro e quais seriam esses pontos.

LEIA: As 82 perguntas da PF para Temer

"O diálogo (entre Temer e Joesley) se dava sobre possíveis conversas, se caso elas houvessem", afirmou o ministro hoje. Meirelles foi do conselho consultivo da J&F do início de 2012 até maio de 2016, quando assumiu o ministério.

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