Em São Paulo, um bar onde quem manda é a vodca

Pernod Ricard abre casa na cidade com 35 drinques feitos só com a Absolut

Lílian Cunha, de O Estado de S.Paulo,

20 de setembro de 2012 | 03h10

Anúncios em TV, internet, mídia impressa, ações em redes sociais e em pontos de venda - nada disso era suficiente para a francesa Pernod Ricard, segunda maior destilaria do mundo. Dona da marca Absolut, a multinacional de bebidas queria fazer "algo diferente" para promover sua vodca. Foi aí que surgiu a ideia do Absolut Inn - o primeiro bar exclusivo da marca no mundo.

Sem cerveja no cardápio, o bar fica em um imóvel com 450 metros quadrados na rua Oscar Freire, em São Paulo. Terá 25 drinques exclusivos e dez clássicos, como caipirinha e mojito - todos feitos com vodca Absolut. No primeiro piso, além do bar, pista de dança e palco para bandas, haverá um grande sofá com dez tablets. Por meio deles, os consumidores poderão pedir músicas. Para isso, terão de acumular pontos jogando Memória, Batalha Naval ou Pong contra outra pessoa que também está no bar, usando outro tablet. "A ideia é fazer todos interagirem de maneira criativa", diz Colin Kavanagh, diretor de marketing da Pernod Ricard Brasil.

No segundo andar, haverá uma biblioteca/livraria (montada em parceria com a Livraria Freebook) e um espaço para exposição de jovens artistas plásticos. O restaurante, comandado pelo chef boliviano Checho Gonzales, fica no terceiro e último andar, onde há também um terraço.

"Queremos que esse seja um espaço de criatividade, onde as pessoas vejam coisas novas e bebam drinques novos. Esse é o espírito da marca Absolut", diz Kavanagh.

A Pernod não revela quanto investiu no bar, que será inaugurado amanhã, com uma festa fechada, e no sábado, para o público em geral. A previsão é que o Absolut Inn funcione até o fim de dezembro. "Depois, vamos avaliar se faremos do bar algo permanente", afirma o diretor.

 

Mercado

A marca Absolut é responsável por 85% do mercado de vodcas premium no Brasil, cujas vendas cresceram 64% nos sete primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, em volume, segundo a Nielsen. O mercado total de vodcas, que passou de 38 milhões de litros em 2010 para 41 milhões de litros no ano passado, evoluiu 11% este ano, até julho.

"As pessoas não querem mais só tomar cerveja", afirma Kavanagh. Para ele, os consumidores de uísque e os que não consumiam bebidas alcoólicas também estão agora tomando vodca. Esse mercado, diz Kavanagh, pode crescer ainda mais, conforme a coquetelaria vai ficando mais popular para os brasileiros. Daí a estratégia de colocar no bar um extenso cardápio com mais de 30 opções de drinques. "Queremos mostrar que a vodca é uma bebida muito versátil e que há várias maneiras criativas de consumi-la", diz o executivo.

A coquetelaria é, segundo Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a nova tendência dos bares brasileiros. "Até os anos 90, abrir um restaurante e não ter um bom barman era algo fora de cogitação", diz Solmucci. Mas com a crise, diz ele, o "low service", ou seja, os bares básicos, com poucos serviços, foram dominando o mercado. "Por isso, a aposta agora em serviços mais elaborados acontece na hora certa", afirma ele.

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