Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Em saúde o importante é fazer

Ao longo das últimas décadas o setor de saúde privada brasileiro foi pintado como um dos grandes vilões que atacam sem remorso a ''''pobre'''' sociedade. Dependendo do ponto de vista, e da intenção de quem vê, a imagem não deixa de ter seu fundo de verdade. Mas, se o mesmo segmento for visto por outros ângulos, ele se transforma no herói vestido de branco, que com sua espada vingadora salva a mesma ''''pobre'''' sociedade das garras do mal, ou da falta de recursos para um bom atendimento na área de saúde pública.O orçamento da União destina ao Ministério da Saúde uma das verbas mais vultosas do País. Mesmo assim, estes recursos são absolutamente insuficientes para fazer frente às reais necessidades de investimentos e custeio da saúde pública oferecida para a população. Portanto, sob a ótica do governo, os planos de saúde privados são uma ferramenta essencial para complementar um setor altamente sensível e para o qual não existem recursos oficiais suficientes. Com seu faturamento e sua capacidade de atendimento de seus quase 40 milhões de participantes, o sistema de saúde privado desonera o SUS, permitindo que os recursos do Ministério da Saúde sejam destinados aos menos favorecidos.De outro lado, a população prefere muito mais ser atendida pelas redes médico-hospitalares colocadas à sua disposição pelos planos de saúde privados do que ficar nas filas do SUS, às vezes por meses a fio, correndo o risco de, na data marcada para sua consulta, perdê-la em virtude de uma greve política feita pelos funcionários do metrô.Como se vê, apesar de severamente criticados, os planos de saúde privados desempenham, pelo menos para dois interessados na sua existência, um papel de agente do bem, ainda que muitas vezes o setor não saiba se colocar ''''mercadologicamente'''' diante de situações de estresse, como acontece todos os anos, na época do reajuste de seus preços.Há ainda um terceiro setor que dá graças a Deus pela existência dos planos de saúde privados. Os prestadores particulares de serviços de saúde, como hospitais e laboratórios, vivem há alguns anos um momento de franca expansão e remuneração satisfatória, graças aos convênios firmados com os planos de saúde privados que permitem a maximização do uso de seus serviços pela massa segurada.O grande problema do segmento é o aumento de preços que afeta a medicina moderna no mundo inteiro. A contrapartida para a longevidade humana é o custo dos produtos, equipamentos e serviços indispensáveis para a qualidade de vida da população mundial do século 21, e que é real em todos os países, inclusive os mais ricos. Que o digam a GM e a Ford que perderam competitividade frente aos japoneses em parte por conta dos custos dos planos de saúde seus funcionários.O Brasil não é exceção. Aqui também o custeio da saúde é um desafio que precisa ser enfrentado, para ser pelo menos razoavelmente equacionado por uma sociedade que tem sérias dificuldades em criar os recursos para fazer frente a ele.Nesta linha tem sido importante a atuação do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS ), que tem à sua frente o médico José Cechin e que vem promovendo estudos para encontrar as soluções viáveis para o futuro da saúde pública brasileira, dentro da realidade nacional.É assim que, no dia 3 de setembro, o IESS promove um evento importante para discutir medidas concretas destinadas a evitar a quebra da saúde pública brasileira. Tendo por base um trabalho desenvolvido pelo IBM Institute for Business Value, intitulado Healthcare 2015 - Ganha, Ganha ou Todos Perdem?, o instituto promoverá um debate, no Centro de Convenções do Hospital Sírio-Libanês, colocando frente a frente profissionais dos diferentes setores envolvidos com a questão e um dos especialistas responsáveis pelo trabalho. A idéia é que todos ganhem e para isso a participação das pessoas interessadas é fundamental para o sucesso do evento - e, principalmente, para a saúde pública brasileira.*Antonio Penteado Mendonça é advogado e consultor, professor do Curso de Especialização em Seguros da FIA/FEA-USP e comentarista da Rádio Eldorado. E-mail: advocacia@penteadomendonca.com.br

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