Em semana cheia de ações do BC, dólar acumula queda de 8,8%

Moeda norte-americana termina a sexta-feira cotada a R$ 2,115 e soma agora alta de 11,20% no mês

Silvana Rocha, da Agência Estado,

17 Outubro 2008 | 16h28

Em uma semana cheia de anúncios do Banco Central para aumentar a liquidez no sistema financeiro do País e facilitar o crédito para empresas, principalmente as exportadoras, o dólar acumulou queda de 8,84%, reduzindo um pouco a alta vista nos primeiros dias do mês, que agora fica em 11,20%. Nesta sexta-feira, a moeda norte-americana caiu 2,08%, e fechou cotada a R$ 2,115. Veja também:Primeiro leilão de empréstimo em moeda estrangeira será na 2ªBanco Central divulga circular sobre leilões de financiamentoConsultor responde a dúvidas sobre crise  Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitosEspecialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise  O mercado cambial doméstico manteve o viés de baixa nesta sexta, influenciado pela alta das commodities e das bolsas globais, as medidas do Banco Central para melhorar o direcionamento do crédito para empresas exportadoras e expectativas de fluxo positivo. "Com a ligeira melhora do ambiente externo, previsão de ingresso de cerca de US$ 3,12 bilhões da venda da Namisa pela CSN para um consórcio de empresas japonesas e coreanas e expectativa pelo leilão de até US$ 2 bilhões de linha carimbada para exportadores na segunda-feira, as tesourarias anteciparam-se vendendo moeda", explicou um operador. No ano, a moeda americana no balcão aponta ganho de 19,15%. De acordo com um operador, a venda nesta sexta pelo BC em leilão da oferta integral de US$ 1,373 bilhões em contratos de swap cambial com vencimento em 2 de janeiro de 2009 permitiu às tesourarias participantes (que assumiram posição comprada perante o BC), travar a posição com venda no mercado de dólar futuro, em arbitragens que pesaram à queda das cotações da moeda. Segundo a BM&F, os seis vencimentos de dólar futuro negociados projetaram valores menores, com um volume total de US$ 13,92 bilhões (284.695 contratos) às 16h19. O dólar novembro08, que girou US$ 12,35 bilhões do total, apontou baixa de 2,80%, a R$ 2,118. Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, tanto o pacote de medidas de alívio do compulsório para compra de carteiras de bancos como a nova regra direcionando crédito a exportadores ajudam a atenuar a falta de liquidez e a tensão no mercado. "Essas ações eram a gota que faltava para que o dólar à vista voltasse para ao redor de R$ 2,05 em dia de aparente melhora no exterior, como hoje", avaliou. Um profissional da mesa de câmbio de um banco estrangeiro estimou que o recuo do dólar à vista para uma margem de oscilação de R$ 2,05 a R$ 1,95 poderia amenizar o volume de perdas apuradas por muitas empresas, que apostaram nos últimos meses contra a alta do dólar através de operações de derivativos. "Esses leilões que vêm sendo feitos pelo BC podem vir a levar o pronto a romper momentaneamente os R$ 2,00, mas dificilmente a moeda conseguirá se sustentar abaixo desse piso psicológico por causa da persistente preocupação dos investidores com a crise financeira e a recessão nos EUA e Europa", afirmou. Outro operador de câmbio de um banco nacional com forte atuação em comércio exterior avaliou que o refluxo atual do dólar reflete o conjunto de ações que vêm sendo adotadas pelo Banco Central, que inclui os leilões de swap cambial, de venda de moeda em espécie, de linha com recompra e, agora, o novo leilão de taxas para a concessão de empréstimos em moeda estrangeira, vinculada a aplicação dos recursos em operações de comércio exterior - ACC, ACE e financiamento de importação. "Essa modalidade de leilão é nova, equivale a um empréstimo do BC em dólar aos bancos, que farão repasse aos exportadores. O BC será o credor nesse empréstimo", explicou. Leilão de empréstimos Nesta tarde, o BC informou que o primeiro leilão de taxas para a concessão de empréstimos em moeda estrangeira será realizado na segunda-feira, dia 20, das 16h00 às 17h00 pelo Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin) por telefone. O montante máximo do leilão será de até US$ 2 bilhões e o montante máximo permitido por instituição será de 100% do total do leilão, ou seja, um banco só poderá tomar todo o volume a ser ofertado pelo BC. As instituições terão que indicar na apresentação das propostas o valor financeiro em dólares do empréstimo e a taxa de remuneração adicional sobre a libor que pretendem pagar pelos recursos. Cada instituição poderá apresentar uma proposta, e serão aceitas aquelas cuja as taxas de remuneração adicional (acima da libor) sejam maiores ou iguais a indicada pelo BC como taxa de Corte, apurou o jornalista da AE em Brasília Fábio Graner. O BC informou ainda que serão aceitos como garantia do empréstimo apenas Global bonds emitidos pela República Federativa do Brasil denominados em dólares. O valor a ser entregue em garantias será correspondente ao valor do empréstimo acrescido em 5%. A data de vencimento do empréstimo será em 20 de abril de 2009. O crédito dos recursos será feito no segundo dia útil após a assinatura do contrato, que deverá ser precedida da entrega de garantia.

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