Aly Song/Reuters
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Em semana marcada por otimismo, mercados internacionais fecham com alta generalizada

Resultados positivos vindos do mercado de trabalho dos Estados Unidos animaram as principais Bolsas do mundo, pois indicam que o pior da crise pode ter passado

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 07h00
Atualizado 05 de junho de 2020 | 18h40

As Bolsas da Ásia, da Europa e de Nova York fecharam em alta nesta sexta-feira, 5, encerrando uma semana amplamente positiva. Na mira do noticiário internacional, além dos movimentos de reabertura e dos estímulos monetários e fiscais dos governos, está a possibilidade de que o pior da crise já pode ter passado nos Estados Unidos, até o momento o maior epicentro do coronavírus.

O gradual processo de reversão de medidas de bloqueio motivadas pela covid-19 em várias partes do mundo e novas iniciativas no sentido de superar a brutal crise provocada pela doença, alimentaram o apetite por risco na região da Ásia, Estados Unidos, e Pacífico ao longo da semana.

Na última quinta-feira, 4, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu ampliar em mais 600 de bilhões de euros seus estímulos monetários, em mais uma tentativa de amenizar o impacto do coronavírus. Nos últimos dias, o governo da Coreia do Sul propôs um orçamento suplementar com o mesmo intuito e o BC da Austrália - conhecido como RBA - manteve juros, mas avaliou que a economia local pode ter se deteriorado menos do que se estimava inicialmente.

No entanto, apesar do noticiário favorável, foi o mercado de trabalho dos Estados Unidos que impulsionou os negócios na Europa e também em Nova York. O 'payroll', relatório mensal de empregos americano, impressionou com a criação de 2,5 milhões de vagas apenas em maio, o que ajudou a diminuir a taxa de desemprego do país americano para 13,3%. Com uma previsão de fechamento de 8 milhões de vagas, o dado aponta para uma retomada da economia dos EUA.

Bolsas da Ásia

Ações de empresas aéreas se destacaram na Ásia hoje, com saltos que variaram de 5% a mais de 10%, um dia após a o governo da China permitir que companhias dos EUA e de outros países retomem alguns voos para a nação asiática. A decisão veio menos de 24 horas após o presidente americano, Donald Trump, ter ameaçado barrar voos comerciais chineses para os EUA.

Com isso, os mercados asiáticos fecharam com alta generalizada. O japonês Nikkei subiu 0,74%, enquanto o Hang Seng avançou 1,66% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi se valorizou 1,43% e o Taiex registrou ganho de 0,76% em Taiwan. As altas foram modestas na China continental, com o Xangai Composto e o Shenzhen Composto subindo 0,40% e 0,22%, respectivamente. Na Oceania, o S&P/ASX avançou 0,12% em Sydney.

Bolsas da Europa 

As Bolsas europeias tiveram ganho nesta sexta, um dia após o BCE elevar seu progama de incentivo fiscal para 1,35 trilhão de euros. Na sessão de hoje, o mercado do velho continente retomou o movimento de alta, que havia sido afetado na última quinta-feira, 4, após a presidente do Banco Central Europeu (BCE)Christine Lagarde, estimar uma inesperada queda de 8,7% no PIB da zona do euro.

Por lá,  o índice Stoxx 600 encerrou com alta de 2,48%. Em Londres, a alta foi de  2,25% e em Frankfurt, de 3,36%. A Bolsa de Paris subiu 3,71% e a de Milão, 2,82%. Madri avançou 4,04%, mas Lisboa recuou e fechou com baixa marginal de 0,26%.

Bolsas de Nova York

O otimismo junto ao aumento do apetite por riscos favoreceu as Bolsas de Nova York, que registraram recordes na sessão desta sexta. No final, o Dow Jones fechou com alta de 3,15%, o Nasdaq subiu 2,06% e o S&P 500 avançou 2,62%

No entanto, apesar do cenário positivo, ainda fica no radar dos investidores os protestos antirracismo nos EUA e as tensões entre Washington e Pequim. Hoje, Trump voltou a criticar a China pela atuação do país asiático na pandemia de coronavírus e ameaçou impor tarifas.

Petróleo 

As incertezas da sessão anterior foram recompensadas pelos sinais de que a economia dos Estados Unidos pode de fato estar se preparando para uma recuperação rápida, como sugeriu o presidente Donald Trump. Além disso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+)concordou com a realização de uma reunião no próximo sábado, 6, para discutir possíveis novos cortes na produção de barris, após a indecisão vista na última quinta.

Com isso, o petróleo WTI para julho, referência no mercado americano, fechou com alta de 5,72%, a US$ 39,55 o barril - o ganho semanal foi de 11,44%. Já o Brent para agosto, referência no mercado europeu, teve ganho de 5,78%, a US$ 42,30 o barril - na semana, a alta foi de 11,79%./COLABORARAM IANDER PORCELLA E MAIARA SANTIAGO

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