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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Em semana turbulenta, dólar fecha em alta de 1,65%

A oscilação continua dominando os negócios no mercado financeiro. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 2,2770, em alta de 1,07% em relação aos últimos negócios de ontem. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a máxima de R$ R$ 2,2920 e a mínima de R$ 2,2150. Com o resultado, o dólar acumula queda de 1,64% nos dois primeiros dias de junho. Na semana, o resultado foi uma alta de 1,65%. A cotação mais alta durante a semana foi alcançada na quarta-feira, em R$ 2,3230, e a mais baixa ontem, em R$ 2,2530. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 0,51%. Na semana, a queda foi de 1,78%. As incertezas sobre o futuro da economia norte-americana exige atenção dos investidores. A cada dado novo sobre a economia do país, os investidores reagem com cautela ainda maior, já que as informações não convergem para um único cenário. Hoje, por exemplo, foi divulgada a criação de vagas nos EUA (payroll) em maio. O Departamento do Trabalho dos EUA informou que foram criadas apenas 75 mil vagas na economia em maio, bem abaixo da mediana das previsões, que apontavam a criação de 180 mil vagas. Paralelamente, as vagas criadas em abril e março foram revisadas em baixa, acentuando a leitura de um eventual cenário de desaquecimento econômico.Inicialmente, o dado foi bem recebido pelos investidores, já que um sinal de economia aquecida poderia provocar risco para a inflação e, com isso, os juros norte-americanos poderiam subir mais, prejudicando a economia de todos os países. Por outro lado, se a economia dos Estados Unidos começa a desaquecer, sofre o comércio externo de vários países, pois o mercado norte-americano é grande consumidor. Ou seja, economia desaquecida significa menor lucro para as empresas e impacto direto para o mercado de ações. Veja o comportamento dos mercados durante a semanaA semana começou com feriado nos Estados Unidos na segunda-feira, o que limitou a liquidez (volume de negócios) no mercado. No dia seguinte, terça-feira, os investidores estrangeiros voltaram para o mercado financeiro e o dia foi de forte oscilação. A Bolsa recuou 4,54%, a maior queda porcentual desde 10 de maio de 2004.O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 2,3100, em alta de 1,54%. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a máxima de R$ 2,3660 e a mínima de R$ 2,2850. Para segurar a alta do dólar na terça-feira, o Banco Central voltou a oferecer swap cambial (contratos que trocam o rendimento em juros pela oscilação do dólar). O objetivo do BC foi aumentar a oferta de ativos em dólar, o que reduz a pressão de alta sobre as cotações da moeda norte-americana.A quarta-feira foi dia de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 0,5 ponto porcentual. Com isso, a Selic chegou ao patamar de 15,25%, como já era esperado no mercado financeiro.A queda foi a oitava seguida desde setembro do ano passado, quando a taxa foi reduzida de 19,75% para 19,50%. Contudo, marcou a redução do ritmo de afrouxamento monetário, depois de dois meses consecutivos com cortes de 0,75 ponto porcentual.Também foi divulgado o crescimento de 1,4% no Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) referente ao primeiro trimestre de 2006, tomando como base os últimos três meses de 2005. Foi o maior da série deste tipo de comparação desde o terceiro trimestre de 2004. A indústria e os investimentos puxaram o resultado neste período. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o crescimento foi maior, de 3,4%.No cenário externo, também na quinta-feira, foi divulgada a ata da última reunião do banco central dos Estados Unidos (Fed), realizada em 10 de maio, que decidiu elevar o juro para 5% ao ano. O documento chegou a ser bem recebido pelo mercado financeiro, mas não diminuiu a cautela dos investidores. Resultado disso é que os mercados registraram forte oscilação.O documento destaca que a expectativa com inflação é "preocupante", mas é pequena. Segundo a ata, a inflação no segundo semestre deve ser menor. Contudo, o Fed já adiantou que a inflação precisa de um monitoramento atento, já que o dólar enfraquecido é um fator de grande risco para a alta dos preços no mercado norte-americano.O documento não sinaliza se os juros nos Estados Unidos continuarão subindo. Pelo contrário. "Há incertezas sobre a necessidade de mais aperto monetário e quanto", diz o texto. Em resumo, os participantes do Comitê do Fed concluíram que havia riscos de aceleração da inflação e de desaceleração do crescimento econômico. Resultado disso foi a forte oscilação.No dia seguinte à divulgação da ata do Fed e da decisão do Copom, os mercados financeiros, aqui e no exterior, exibiram considerável melhora, diante dos dados divulgados hoje EUA - entre eles o índice nacional de atividade, o número de pedidos de auxílio-desemprego na semana passada e da produtividade de mão-de-obra. No Brasil, o dólar comercial fechou o dia em queda de 3,01%, cotado a R$ 2,2530 na ponta de venda das operações. A Bolsa fechou na máxima do dia, em 37.748 pontos, em alta de 3,34%. O risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País -, no fim da tarde, atingia a mínima do dia, em queda de 10 pontos para 262 pontos base.

Agencia Estado,

02 de junho de 2006 | 17h48

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