Em sentido oposto ao exterior, dólar ganha 0,58% e Bolsa recua

Cenário:

NALU FERNANDES , O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2012 | 03h07

O dólar à vista em relação ao real terminou a sexta-feira com valorização de 0,58% no mercado de balcão, a R$ 2,0650. Em grande parte do pregão, o volume financeiro foi fraco, colaborando para puxar a cotação da moeda. Nos minutos finais de negócios, porém, o giro ganhou fôlego. O avanço aqui se deu em contraposição à queda da moeda norte-americana em relação a inúmeras divisas globais e parte disso pode ser explicado por um fator técnico.

De acordo com profissionais do mercado de câmbio, devido à proximidade do fim do mês, parte dos investidores já iniciou a rolagem de algumas posições no mercado futuro de câmbio. Isso explica o fato de o dólar futuro ter passado boa parte da sexta-feira no território negativo, apresentando discreta recuperação apenas no fim da sessão, quando o mercado à vista já estava fechado. Na semana, o dólar no balcão subiu 1,18%.

Além disso, a Bovespa voltou a cair ontem e, ainda que pouco, pode sugerir a saída de investidores estrangeiros. O principal índice de ações local cedeu 0,12%, aos 55.439,50 pontos, e a queda só não foi pior porque as ações da Petrobrás subiram em meio às especulações sobre o reajuste dos combustíveis. Na semana, o Ibovespa perdeu 1,18%.

Com os negócios já encerrados, a estatal do petróleo confirmou elevação de 7,83% para a gasolina e de 3,94% para o diesel. Com isso, os papéis ON e PN da Petrobrás, que terminaram com ganho de 0,95% e 1,45%, respectivamente, passaram a cair na sessão estendida. Essa inversão de sinal ocorreu porque os investidores especulavam que o reajuste poderia chegar a 15%.

As taxas futuras de juros, por sua vez, tiveram pouca oscilação ao longo do pregão e terminaram o dia perto da estabilidade. Nem mesmo o rebaixamento, pela Moody's, da classificação de alguns dos maiores bancos do mundo na quinta-feira, quando o mercado já estava fechado, teve força para mover as taxas. E a notícia mais relevante de ontem, de que o Banco Central Europeu (BCE) ampliou o leque de produtos que aceitará como garantia para facilitar o acesso aos seus empréstimos, teve mais efeitos sobre os juros internacionais, sobretudo dos países periféricos da Europa, do que sobre o mercado doméstico.

O efeito que o reajuste da Petrobrás poderia ter sobre a inflação e, consequentemente, sobre os juros futuros, foi mitigado pela decisão do governo de zerar um dos tributos incidentes sobre os combustíveis, impedindo repasses ao consumidor.

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