Em sessão morna, Bovespa renova pontuação máxima do ano

Notícias positivas sobre Dubai e Citi deram alento ao mercado, que subiu 0,12%; volume de negócios foi fraco

Claudia Violante, da Agência Estado,

14 de dezembro de 2009 | 18h26

A Bovespa teve um pregão para lá de monótono hoje e, não fossem as boas notícias no mercado externo, também teria sido meramente técnico. As notícias de Dubai e do Citi Group serviram para dar um pouco de alento aos negócios nesta segunda-feira de agenda esvaziada e volume estreito. Mas como o índice já se encontrava no nível recorde de 2009, qualquer ganho significava renovar esse patamar. E foi o que aconteceu.

 

A Bolsa doméstica subiu apenas 0,12%, aos 69.349,40 pontos, a maior pontuação desde 6 de junho de 2008 (69.785,90 pontos). Na mínima, registrou 69.193 pontos (-0,11%) e, na máxima, os 69.785 pontos (+0,75%). No mês, sobe 3,44% e, no ano, 84,69%. O giro financeiro totalizou R$ 5,344 bilhões. Os dados são preliminares.

 

A principal notícia do dia e fio condutor das Bolsas pelo mundo hoje foi a de que a Dubai World recebeu do governo de Abu Dabi uma ajuda financeira de US$ 10 bilhões. O dinheiro seria usado, entre outras coisas, para pagar a dívida de US$ 3,52 bilhões em "bônus islâmicos" (sukuks) da incorporadora imobiliária Nakheel, que vence hoje. Além disso, o governo de Dubai anunciou o arcabouço legal para a concordata do Dubai World, caso o conglomerado não consiga chegar a um acordo com os credores para reestruturar o equivalente a US$ 26 bilhões em dívidas.

 

O noticiário abriu espaço para um sentimento positivo nos mercados, também reforçado pelo acordo entre o Citigroup e o governo norte-americano para reembolsar os US$ 20 bilhões recebidos dentro do Programa de Alívio de Ativos Problemáticos (Tarp). Mas ao contrário dos outros bancos que pagaram de volta a ajuda até agora, o Citi terá que substituir totalmente esses recursos devolvidos com capital novo, por meio da emissão de US$ 20,5 bilhões em ações e dívidas.

 

Parte do otimismo com essas notícias, entretanto, foi anulada pela cautela em relação à Grécia, que teve seu rating rebaixado na última semana. O primeiro-ministro do país, George Papandreou, fez um discurso esta tarde no qual disse que vai reduzir o gigantesco déficit orçamentário dos atuais 12,7% projetados para este ano para abaixo do teto de 3% exigido pela UE dentro de 4 anos. Ele também traçou uma série de medidas com objetivo de tranquilizar os investidores sobre a posição fiscal do País.

 

Embora aguardadas, as declarações de Papandreou não fizeram preço nos ativos nos Estados Unidos - e por tabela, no Brasil -, mas os investidores seguem monitorando os desdobramentos.

 

Em Nova York, as bolsas operaram em alta durante todo o dia. Às 18h20, o Dow Jones subia 0,25%, o S&P avançava 0,64% e o Nasdaq, 0,89%. A Exxon Mobil limitava o índice Dow Jones. As ações da empresa caíam 4,68%, após a Exxon anunciar um acordo para comprar a XTO Energy por US$ 31 bilhões em ações. Com isso, aumentará a presença da gigante do petróleo no setor de gás natural. Citigroup perdia 6,58%.

 

No Brasil, a Bovespa passou a oscilar entre altas e baixas no final da sessão, com destaque para a alta das ações da Vale. Os ganhos dos metais ajudaram os papéis a subirem. Vale ON terminou em +1,78% e PNA, 1,15%.

 

O petróleo manteve sua trajetória de baixa e fechou hoje a US$ 69,51 o barril, em queda de 0,52%. Os papéis da Petrobras sofreram este impacto, mas fecharam em sentidos contrários: o ON caiu 0,90% e o PN subiu 0,26%.

 

As maiores altas do Ibovespa foram TIM Par ON (+5,93%), TIM Par PN (+5,91%) e Vivo PN (+5,47%). As maiores quedas foram Eletrobrás ON (-6,24%), Eletrobrás PNB (-5,12%) e Embraer ON (-3,09%).

JBS ON caiu 3,08%. A companhia anunciou as condições da incorporação do Bertin. A relação de troca estabelecida no negócio foi de 1 ação do Bertin para cada 32,45518835 do Friboi, o equivalente a uma proporção de 40%/60%.

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