Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Em silêncio, China investe em empresas japonesas

TÓQUIO

, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

Os fundos de investimento do governo da China mais do que duplicaram seus investimentos em grandes empresas japonesas de capital aberto no ano passado, com uma participação combinada de 1,6 trilhão de ienes (US$ 19,4 bilhões), segundo consultorias de investimento citadas pela Dow Jones.

Essas participações, compradas principalmente por meio de veículos de investimento de nomes obscuros, registrados na Austrália, parecem ser apostas financeiras, sem que os investidores se manifestem sobre questões de estratégia e gestão.

Mas elas colocam em destaque a influência financeira crescente da China, assim como os laços econômicos cada vez estreitos entre o país e o Japão.

Entre abril e setembro de 2010, um investidor identificado como SSBT OD05 Omnibus Account Traty Clients apareceu registrado entre os 10 maiores acionistas de grandes empresas japonesas, entre elas Toshiba, Shiseido, Kirin Holdings e Tokyo Electric Power. Ele não estava na lista seis meses antes.

Outras empresas em que um fundo de investimento com nome semelhante aparece como acionista são Sony, Mitsubishi UFJ Financial Group, Mizuho Financial Group e Sumitomo Mitsui Financial Group.

Como as participações nessas empresas são inferiores aos 5% que exigiriam maior disseminação de informações, de acordo com as leis japonesas que regulamentam o mercado de valores mobiliários, as companhias sabem pouco sobre esses investidores, que usam veículos registrados no State Street Bank & Trust em Sydney (Austrália).

Fundo soberano. Fontes familiares com o assunto, porém, disseram que o fundo soberano chinês China Investment Corp. (CIC) está por trás do SSBT OD05. Segundo a consultoria Japan Shareholder Services, ou JSS (uma joint venture entre a Mitsubishi UFJ Trust & Banking Corp. e a Australia Computershare Ltd.). Também estaria provavelmente por trás do SSBT OD05 a Administração Estatal de Câmbio da China (Safe), o fundo soberano que administra mais de US$ 2,85 trilhões em reservas internacionais chinesas.

A CIC, a Safe e o State Street se recusaram a comentar as informações. A maioria das empresas japonesas ouvidas na reportagem disse ver as pequenas participações chinesas como investimentos de rotina, mas algumas contrataram firmas dedicadas à identificação de acionistas, como a JSS, para obter mais informações.

A CIC foi estabelecida em 2007 para investir uma porção das reservas internacionais chinesas de maneira mais agressiva do que a Safe, que tradicionalmente investia em títulos do Tesouro dos EUA e outros bônus soberanos. As duas são vistas no mercado como concorrentes. A Safe nunca divulgou posições específicas, nem mesmo quanto de seus ativos estão investidos em ações.

Participação nos EUA. A CIC tinha US$ 332 bilhões em ativos no fim de 2009. Em fevereiro do ano passado, relatou participações de US$ 9,6 bilhões em mais de 60 empresas e fundos listados nos Estados Unidos. Esse número excluía alguns de seus investimentos anunciados publicamente nos EUA. Essa foi a primeira vez em que a CIC revelou detalhes de seus investimentos no mercado americano.

Segundo um relatório recente da consultoria japonesa Chibagin Asset Management, a partir de registros de acionistas de empresas, os fundos estatais chineses mais do que duplicaram seus investimentos em companhias japonesas nos seis meses até 30 de setembro de 2010.

Um acionista registrado com nome similar ao já citado, SSBT OD05 Omnibus China Treaty 808150, apareceu pela primeira vez no informe financeiro da Sony relativo ao ano fiscal encerrado em março de 2008, como o oitavo maior acionista da empresa. A Sony disse que esse acionista, que tem uma participação de 1,6% na empresa, está registrado em Sydney e tem o HSBC como procurador permanente.

"Em termos de investidores ou acionistas reais, não sabemos quem eles são", disse um porta-voz da Sony.

Já um porta-voz da Nitto Denko Corp. do setor químico, afirmou: "Nós entendemos que o SSBT é provavelmente um fundo soberano chinês, mas não estamos prestando atenção especial a qualquer acionista específico".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.