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Em SP, 48% compram carro zero pela 1ª vez

Pesquisa em feirões mostra que alta dos juros não afugentou consumidor

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2008 | 00h00

Mesmo com a alta dos juros e ameaças do governo de frear o financiamento, o número de consumidores que compraram um automóvel pela primeira vez continua crescendo. Muitos deles pertencem à classe C, que vem aproveitando os prazos longos para adquirir bens em parcelas acessíveis.Pesquisa realizada entre junho e o início deste mês em seis grandes feirões de automóveis em São Paulo mostra que 48,3% dos consumidores compraram carro zero pela primeira vez. Igual amostragem feita no fim de 2007 apontava para um índice de 43%. Já o porcentual de clientes que adquiriram o primeiro carro usado passou de 8% no fim do ano passado para 21% neste ano. A amostragem da pesquisa feita pela agência de varejo automotivo MSantos ouviu 1.320 consumidores. Em todo o ano passado, uma pesquisa nacional feita pelas montadoras indicava que 246 mil pessoas realizaram o sonho do carro novo, o equivalente a 10,5% das vendas totais de automóveis e comerciais leves no período.Segundo Ayrton Fontes, economista da MSantos, "a migração das classes mais baixas que entraram para a classe média explica o fato". Segundo ele, a maior parte dos que tiveram acesso ao primeiro carro tem renda mensal entre R$ 1,4 mil e R$ 2 mil e optou por modelos populares para pagamento em até 60 meses (cinco anos).O auxiliar de finanças Emir José Nogueira, de 48 anos, adquiriu um Gol 1.0 há um mês. À vista, o modelo sairia por R$ 24 mil, mas ele optou por pagamento em 72 parcelas. "Tinha muita vontade de ter um carro novo, mas dentro das minhas possibilidades a única alternativa era o financiamento de longo prazo", diz ele, que comprometeu quase 30% de sua renda com prestações mensais de R$ 590.A mulher dele, Maria Tereza, que produz doces caseiros, ajudará nas despesas e também está usufruindo do carro novo para fazer entregas à clientela. Nogueira, que tem uma filha de 8 anos e um filho de 22, conta que já teve outros automóveis (Fusca, Opala, Uno e Gol), "todos velhinhos".O acesso da classe C ao consumo de bens de maior valor levou a MSantos a alterar sua estratégia de propaganda. "Começamos a distribuir folhetos em pontos de ônibus em bairros mais periféricos e a programar anúncios em programas populares na TV e em jornais de bairro", afirma Fontes."O que atrai esse entrante no mercado é o plano longo, que permite ao cliente realizar o desejo ou necessidade de ter um automóvel", confirma Dirceu Variz, diretor comercial da Finasa, uma das maiores financeiras do País, pertencente ao Bradesco.Por receio da inadimplência, que por enquanto segue em níveis considerados sob controle pelo sistema financeiro - na casa dos 3,3% da carteira de clientes -, bancos e financeiras estão adotando algumas medidas de restrição.Segundo concessionários de veículos, a maioria das instituições reduziu o prazo máximo de financiamento para 60 meses, exige pelo menos 10% de entrada e concede crédito apenas para quem tem entre 20% e 25% da renda comprometida com dívidas. Antes, o limite ia a 35% da renda.Variz afirma que a Finasa opera hoje com 72 meses apenas para casos excepcionais de modelos novos. A maioria dos planos é limitada a 60 parcelas. Os juros também aumentaram, seguindo a taxa Selic, e variam de 1,3% a 1,7% por mês. Há três meses, a taxa partia de 1,21% mensal. A financeira está mais rigorosa no momento de avaliar a ficha cadastral de novos clientes, levando em conta a capacidade futura de quitação da dívida.MERCADOAs vendas de veículos novos, que em julho registraram o melhor mês da história, com 288 mil unidades, começaram a desacelerar neste mês, movimento previsto pelas montadoras para o segundo semestre. Até terça-feira, foram vendidos 201,5 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, uma queda de 13,3% em relação ao mesmo período de julho, que teve dois dias úteis a mais.No acumulado do ano, as vendas até o dia 26 chegam a 1,9 milhão de veículos, 26% a mais se comparado ao período de janeiro a agosto de 2007. Até julho, o setor crescia a um ritmo de 30%. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê vendas até dezembro de 3 milhões de veículos, com crescimento de 24% ante 2007.NÚMEROS246 mil pessoas compraram um carro novo no ano passado, 10,5% do total60 meses é o prazo máximo de pagamento que tem sido usado pela maioria dos concessionários201,5 mil automóveis foram vendidos, no total, em agosto até terça-feira, número 13,3% menor que o de julho

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