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Em SP, Franca é líder em demissões

Só em dezembro, cidade de 330 mil habitantes teve 11.101 demitidos

ANDREA VIALLI e CHICO SIQUEIRA, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Entre os municípios paulistas, a liderança no ranking do desemprego pertence a Franca, a 400 quilômetros de São Paulo. Conhecido polo calçadista, o município, que tem 330 mil habitantes, perdeu 11.101 empregos em dezembro, segundo os dados do Caged. O saldo negativo foi considerado o pior do interior do Estado de São Paulo e o mais preocupante da década. O resultado é consequência da queda nas vendas das indústrias de calçados, que demitiram 9.974 trabalhadores, 23% a mais que em dezembro de 2007. E puxou o fechamento de mais 926 postos de trabalho no setor de comércio e serviços. Houve ainda a perda de empregos sazonais nas lavouras de cana-de-açúcar e café."Franca vinha em um processo de redefinição de sua atividade econômica. Como perdeu muito com o câmbio, o município investiu na expansão do comércio varejista. Agora, quando poderia retomar as exportações, veio a crise internacional, que tolheu a demanda", explica Antonio Vicente Golfeto, economista da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, macrorregião em que a cidade de Franca está inserida. Nos últimos três anos, o faturamento com as exportações caiu 18% - de US$ 259 milhões em 2005 para US$ 211 milhões em 2008.A crise na cidade pode ser sentida também pelo aumento da inadimplência. Na primeira quinzena de janeiro, o número de devedores cresceu 15% em comparação com igual período de 2008. Outro reflexo é o aumento da oferta de imóveis comerciais para locação. "É um sinal de que muitas micro e pequenas empresas estão fechando as portas", diz Golfeto.O desemprego também afetou a região metropolitana de Campinas, que concentra indústrias de autopeças, bens de capital e tecnologia, além do agronegócio. A Grande Campinas foi a região metropolitana que mais demitiu em dezembro, depois de Belo Horizonte. Foram 16.523 vagas perdidas. "Dezembro mostra retração do emprego na região por causa da entressafra. A esses, somaram-se os empregos extintos na indústria", explica Hélio Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).LANTERNINHANova Cannã Paulista, a 646 km de São Paulo, com 2.300 habitantes foi a cidade que menos gerou empregos com carteira assinada em 2008 - foram apenas cinco vagas no ano. A Prefeitura se defende. "Nunca houve tanto emprego como em 2008. O problema é que são empregos sem carteira, porque o trabalhador prefere ganhar por produção e porque os empregos no campo são temporários", diz o chefe de gabinete da Prefeitura, Osmario Venuto de Almeida.

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