ÉRICA DEZONNE / ESTADÃO
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Em um ano, construção civil demitiu quase 400 mil trabalhadores

Setor, que completou em abril o 19º mês consecutivo de fechamento de vagas, pede ao governo a retomada do Minha Casa, medidas de ampliação do crédito e avanço nas concessões

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2016 | 11h20

SÃO PAULO - A recessão prolongada da economia brasileira provocou demissões no segmento da construção civil pelo 19º mês consecutivo. Em abril, foram cortados 17,4 mil postos de trabalho no País. Com isso, o número total de pessoas empregadas na construção atingiu 2.830.254, o que representa redução de 0,61% em relação a março.

No acumulado dos primeiros quatro meses do ano, os cortes no Brasil chegaram a 72,9 mil vagas, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses, até abril, as perdas totalizaram 398,2 mil vagas.

Os dados divulgados nesta quinta-feira fazem parte da pesquisa realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em informações do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE).

Na avaliação por segmento, as obras de instalação tiveram a maior retração no número de empregos (-1,45%) em abril na comparação com março, seguido por obras imobiliárias (-0,83%) e de preparação de terrenos (-0,33%).

Já na avaliação por regiões, houve corte de vagas no Nordeste (-1,75%), Norte (-0,89%) e Sudeste (-0,63%). Por outro lado, houve contratações no Centro-Oeste (1,43%) e Sul (0,10%). O Estado de São Paulo, com maior número de trabalhadores no setor (26,8% do total do País), teve recuo de 0,46% em abril ante março.

Avaliações. A queda do nível de emprego na indústria da construção em abril já era esperada em função da recessão e seguirá se repetindo nos próximos meses, a menos que o setor receba estímulos, segundo afirmou o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, em nota divulgada à imprensa.

"Esperamos que o governo retome as contratações em todas as faixas de renda do Minha Casa Minha Vida, e que a União renove os convênios para que Estados e municípios possam aportar terrenos e recursos ao programa. Medidas para ampliar a oferta de crédito ao mercado imobiliário também são urgentes. E é preciso acelerar as providências para colocar de pé as concessões e parcerias público-privadas", reivindicou o presidente do sindicato patronal.

Em entrevista nesta semana, Ferraz Neto reiterou a projeção de queda de 5,0% do Produto Interno Bruto (PIB) da construção em 2016 e a estimativa de perda de um total de 250 mil empregos no setor neste ano.

 

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