Em um ano, CSN mais que dobra de tamanho na Bolsa

Com a valorização das ações brasileiras, empresas alcançaram um novo patamar no mercado internacional

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2007 | 00h00

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fechou o ano como a grande campeã do Ibovespa, principal indicador do mercado de capitais no País. A empresa mais do que dobrou o valor de mercado em 2007. O preço das ações seguiu a tendência e também mais do que duplicou de valor. Cem reais em ações da CSN no primeiro dia de 2007 fecharam o ano valendo R$ 257,66.Segundo levantamento da consultoria Economática, pelo critério de valor de mercado da companhia, a CSN alcançou a cifra de R$ 40,5 bilhões, uma valorização de 144% em relação ao último dia de 2006. O valor cresceu R$ 23,9 bilhões no período, mais do que o triplo do que vale hoje a Sadia, por exemplo.O desempenho surpreendeu, principalmente depois da derrota sofrida pelo controlador Benjamin Steinbruch no fim do ano passado, quando a CSN perdeu para a indiana Tata a disputa pela anglo-holandesa Corus. A empresa, embora menor do que a Gerdau e a Usiminas em capacidade de produção, vale hoje mais do que ambas. Segundo levantamento da Economática, a Gerdau, que comprou 12 empresas esse ano (um recorde), fechou o ano valendo R$ 32,4 bilhões. A Usiminas fechou o ano com valor de R$ 27,3 bilhões.Os resultados financeiros da CSN e a reavaliação dos ativos de mineração da empresa, a começar pela gigantesca mina de ferro da Casa de Pedra, sustentam a alta. Para José Marcos Treiger, diretor de relações com investidores, a demanda por aço no mundo e no Brasil ajudou o bom desempenho da companhia. O lucro líquido acumulado de janeiro a setembro alcançou R$ 2,3 bilhões, 123% acima do valor do ano anterior.Por isso, os planos da CSN agora se concentram no mercado local e na América Latina, onde já começou a avaliar negócios, principalmente na Colômbia. O plano de investimento no curto prazo alcança US$ 8,8 bilhões, US$ 6 bilhões na expansão da capacidade de produção de aço (de 5,6 milhões para 14,6 milhões de toneladas) e todo plano de expansão da produção de minério de ferro, em Casa de Pedra, das atuais 16 milhões de toneladas para 65 milhões.A Vale também teve um excepcional desempenho na Bovespa. O valor de mercado da companhia passou de R$ 144,8 bilhões para R$ 271,5 bilhões, evolução de 87,4%. No final de setembro, a Vale, impulsionada pelas aquisições de companhias como a canadense Inco (uma das maiores produtoras de níquel do mundo) chegou a superar o valor da Petrobrás. A descoberta de grandes reservas de óleo leve numa região remota da Bacia de Santos conduziu a estatal novamente ao posto de maior companhia do País. A empresa encerra 2007, segundo a Economática, com um valor de mercado de R$ 421,9 bilhões, uma valorização, ao longo do ano, de 83,1%. Vale e Petrobrás ostentam hoje o título de maiores companhias da América Latina. O Bradesco, maior banco privado da região, alcançou valor de mercado de R$ 109,5 bilhões.Outro movimento surpreendente do mercado foi na área de alimentos. A Perdigão, alvo da rival Sadia em julho de 2006, virou o jogo e se consolidou no final deste ano como a maior do País. A valorização da empresa, depois de aquisições na área de lácteos e da compra da Eleva, foi de 47,6% no ano, atingindo R$ 7,2 bilhões. A Sadia fechou o ano com bom desempenho na Bovespa, porém insuficiente para superar a rival. O valor da companhia subiu 40,3% no ano e fechou a R$ 6,9 bilhões.

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