Paulo Vitor/Agência Estado
Paulo Vitor/Agência Estado

Em um dia, Vale e Petrobrás perdem R$ 46 bilhões em valor

Desde o início da crise do novo coronavírus, os exportadores de commodities estão entre as empresas que mais têm sofrido

Matheus Piovesana e Marcela Guimarães, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2020 | 05h00

Em um dia de pânico nas Bolsas de todo o mundo pelos efeitos do coronavírus na economia global, duas das maiores exportadoras brasileiras tiveram um pregão difícil. Com a queda nas cotações dos produtos que vendem (o minério de ferro caiu 2,5% só na sexta, 6, enquanto o petróleo recuou cerca de 10%), as ações de Vale e Petrobrás recuaram, respectivamente, 4,78% e 9,73%. Em apenas um dia, as duas empresas perderam R$ 46 bilhões em valor de mercado, com o valor da Vale caindo de R$ 247 bilhões para R$ 235 bilhões e o da Petrobrás de R$ 341 bilhões para R$ 306 bilhões.

No caso do petróleo, que derrubou as cotações da Petrobrás, o grande catalisador da queda de preços foi o fracasso da reunião da Opep, o cartel dos países exportadores do produto, e seus aliados. Nesse encontro, a Arábia Saudita defendia um corte de 1,5 milhão de barris diários na produção, como forma de reduzir a oferta e melhorar os preços. A Rússia, porém, não concordou com o corte. Com isso, a cotação do petróleo WTI fechou em queda de 10,06%, em US$ 41,28 o barril, em Nova York. Já o petróleo Brent recuou 9,44%, fechando cotado a US$ 45,27 o barril em Londres.

Em relatório enviado a clientes, o banco alemão Commerzbank disse que o corte na produção proposto pela Opep seria “o mais pronunciado desde o fim de 2008, quando a demanda caiu como resultado da crise financeira e econômica” e que seria uma boa estratégia para os preços da commodity. De acordo com a instituição, sem o corte extra na produção, “o mercado teria de ser reequilibrado por um declínio na produção de óleo de xisto dos EUA, o que exigiria preços mais baixos por um período prolongado”.

Commodities

Desde o início da crise provocada pelo coronavírus nos mercados financeiros globais, as exportadoras de commodities estão entre as empresas que mais têm sofrido. No caso brasileiro, a agravante é que a China é o maior mercado dessas empresas, e o país asiático, onde a epidemia teve início, é até agora o mais afetado. A corretora Nomura, por exemplo, informou na sexta que sua projeção para o PIB chinês no primeiro trimestre é de queda de 4,4% em relação ao quarto trimestre de 2019.

Para Vale e Petrobrás, principalmente, uma economia chinesa consumindo menos é um problema grave. Os chineses compram hoje 64% de todo o minério de ferro produzido no Brasil, segundo a consultoria BMJ. No caso do petróleo, a relação é parecida: 65% do que é produzido no País vai para a China.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.