Em vez de buscar uma ocupação, eles vão para a escola

Graças ao aumento do emprego e da renda, em apenas 10 anos, número de matrículas no ensino [br]superior cresceu 150%

Marcelo Rehder, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

Além da forte redução do crescimento populacional no Brasil, a queda na taxa de participação da população de 15 a 25 anos no mercado de trabalho acontece também devido ao aumento da presença do jovem na escola.

Em apenas dez anos, o número de matrículas no ensino superior cresceu 150% em todo o País. Os dados mais recentes do Ministério da Educação (MEC), referentes ao censo da educação superior, indicam 4,880 milhões de matrículas em 2007, ante 1,946 milhão em 1997.

Esse movimento é facilitado pelo cenário econômico mais favorável dos últimos anos. O aumento do emprego e renda tem permitido que um número crescente de jovens continue a estudar ou volte a frequentar salas de aula, em vez procurar uma ocupação para reforçar o orçamento familiar.

Apesar do crescimento econômico, que este ano deverá superar 7%, o ingresso de jovens no mercado de trabalho continua complicado.

A saída de 425 mil jovens do mercado de trabalho nos últimos seis anos fez cair a taxa de desemprego da faixa etária de 18 a 25 anos, de 21,3%, em maio de 2004, para 16,1% em maio deste ano. Mesmo assim, ainda é mais que o dobro da taxa de desemprego total nas seis principais regiões metropolitanas do País, de 7,5%.

Contudo, a escassez de mão de obra especializada e treinada no mercado tem levado um número cada vez maior de empresas a investir em estagiários. Só no primeiro semestre deste ano, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) já havia encaminhado 385 mil jovens para estágio em empresas paulistas e de outros sete Estados. É um volume semelhante ao recorde registrado em todo o ano de 2008 (400 mil jovens).

A estudante Eloísa dos Santos Rodrigues, de 20 anos, faz parte desse grupo. Cursando o terceiro ano de administração de empresas da Faculdade Anhembi-Morumbi, na capital paulista, ela é estagiária na SulAmérica Seguros e Previdência desde maio.

Pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estagiária não é ocupada nem desocupada. Ela recebe da empresa uma bolsa auxílio no valor de aproximadamente R$ 900 por mês, além de vale-refeição e transporte, entre outros benefícios.

Como obteve uma boa pontuação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Eloísa conquistou bolsa de estudo integral do Programa Universidade para Todos (ProUni), do governo federal. Atualmente, mais de 443 mil universitários de baixa renda familiar são beneficiados pelo programa.

Filha de pais separados, a estudante mora com a mãe, que trabalha na cozinha de uma escola pública e ganha cerca de R$ 1,2 mil por mês. "Meus pais, que não terminaram os estudos, sempre me incentivaram a estudar", conta. "Mas se eu não tivesse recebido a bolsa de estudos não teria como pagar os R$ 970 da mensalidade da faculdade."

Eloísa é apenas um dos 189 estagiários da SulAmérica Seguros e Previdência. A companhia mantém o programa de estágio desde 1996. Já passaram pela empresa mais de 1,5 milhão de estagiários. "A média de efetivações no emprego após o término do período de estágio é de 70% a 75%", diz a gerente de Recrutamento e Seleção da SulAmérica, Sonia Norões.

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