Em vez de desonerar, tem de dar dinheiro aos pobres, diz Lula

Presidente diz que empresários nem sempre repassam os benefícios das desonerações fiscais para a população

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

23 de junho de 2009 | 12h35

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se mostrou contrário a novas desonerações tributárias para estimular a economia. "Em vez de ficar desonerando tanto, tem que dar dinheiro para os pobres, que eles compram", disse o presidente nesta terça-feira, 23, em discurso na solenidade de assinatura de diversos atos para a revitalização do Porto do Rio.

 

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Segundo o presidente, nem sempre os empresários que são beneficiados pela redução de tributos dividem isso com a população. De acordo com Lula, quando a continuidade da CPMF não foi aprovada pelo Congresso, o governo perdeu R$ 40 bilhões que usaria na saúde. "Mas não vi ninguém reduzir do preço 0,38% da CPMF" disse Lula, referindo-se à antiga alíquota da contribuição.

 

De acordo com o presidente, o governo já fez desonerações que somam R$ 100 bilhões. Segundo Lula, os países que tem carga tributária baixa, como 10% por exemplo, não tem Estado capacitado para apoiar a economia e a população.

 

Ele considera que o dinheiro dado para os mais pobres vai para o comércio e para o consumo "que é o que a gente precisa para a economia crescer". De acordo com o presidente, todo o dinheiro que se dá para uma pessoa pobre vai para o consumo, "não vai para banco, não vai para derivativos".

 

Desonerações

 

Desde o agravamento da crise financeira, em setembro de 2008, o governo brasileiro já promoveu diversas desonerações tributárias no País, incluindo a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis, materiais de construção e linha branca de eletrodomésticos, como forma de incentivar o consumo. Sofreram reduções também o Imposto de Renda para a Pessoa Física (IRPF) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as compras a prazo e o cheque especial.

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