Em visita à Venezuela, presidente evitou falar sobre derrota sofrida pelo governo.

Em visita à Venezuela, presidente evitou falar sobre derrota sofrida pelo governo.

Claudia Jardim, BBC

13 de dezembro de 2007 | 22h55

O presidente Lula evitou a imprensa durante toda a visita, que durou pouco mais de oito horas, e se limitou a discursar sobre os acordos firmados com seu colega venezuelano, Hugo Chávez. Mais cedo, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, admitiu que o fim da CPMF terá impacto direto na proposta de política industrial que está sendo elaborada pelo governo e deveria ser lançada em janeiro. De acordo com o ministro, a derrota do governo na noite desta quarta-feira não só atrasa o lançamento como também o conteúdo da nova política industrial. "Não sei exatamentre o que, mas que muda, muda", afirmou. O presidente Lula foi recebido na Venezuela pela Guarda de Honra presidencial, que em um fato inédito, não só tocou como cantou o hino nacional brasileiro. Os soldados contaram com a ajuda de uma tela com as estrofes do hino. "Ouvi de longe meus soldados ensaiando pouco antes de que você chegasse (Lula) e me emocionei (...). Foi uma homenagem ao povo brasileiro, Lula", disse Chávez, algumas horas depois. Brasil e Venezuela assinaram nesta quinta-feira nove acordos de cooperação nas áreas de agricultura, petroquímica, saúde e desenvolvimento industrial. Para os brasileiros, ficou o compromisso de constituir no próximo ano um escritório da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e da Embrapa. Na área petroquímica, serão criadas duas empresas mistas com a Braskem - subsidiária minoritaria da Petrobras - com um custo estimado US$ 3 bilhões. Lula destacou que um representante do governo brasileiro e outro venezuelano darão acompanhamento aos acordos firmados "para que saiam do papel", porque do contrário o discurso da integração "se debilita". Diante de seu colega Hugo Chávez, de dezenas de empresários e ministros brasileiros e venezuelanos, Lula destacou que a América Latina está vivendo seu melhor momento histórico, ao ressaltar os avanços dos governos sul-americanos no combate à pobreza. O presidente brasileiro também destacou o caráter democrático do governo venezuelano. "É o melhor momento que estamos vivendo (...). Há muito tempo a Venezuela não vivia um momento que vive hoje, de democracia em plenitude. Em que o povo pobre que tem acesso ao café-da-manhã, almoçar e jantar", afirmou.Chávez acaba de sair de seu primeiro revés político, ao ter sua proposta de reforma constitucional derrotada em um referendo popular realizado há 11 dias. Lula destacou que sua amizade com o colega venezuelano independe das relações entre os dois países. "Nossa amizade é eterna", disse. Chávez, por sua vez, agradeceu a lealdade do presidente brasileiro. "Quando falam que Chávez é ditador, tirano, sempre está sua resposta, sincera, da alma. Obrigado, companheiro, obrigado", disse Chávez. Os presidentes devem realizar um novo encontro em março de 2008. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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