Embaixada da Itália defende TIM e pressiona governo

Diplomatas italianos procuraram o Planalto na semana passada logo depois do anúncio da suspensão das vendas

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2012 | 03h04

O governo italiano resolveu entrar na disputa entre a TIM e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou ontem que representantes da Embaixada da Itália procuraram o governo na semana passada, logo depois do anúncio da suspensão da venda de novas linhas de celular e internet móvel.

Bernardo estava em viagem aos Estados Unidos e orientou o secretário executivo da pasta, César Alvarez, a responder à embaixada que o processo envolvendo a TIM e as operadoras Claro e Oi não tinha "nada a ver com diplomacia".

"Isso é um problema do consumidor brasileiro com as empresas. O fato de a TIM estar aqui no Brasil há 15 anos não significa que vamos tratá-la melhor ou pior, até porque, para todos os efeitos, ela é uma empresa nacional", afirmou o ministro.

A TIM foi a única das operadoras punidas pela Anatel que tentou reverter a decisão na Justiça. O pedido, entretanto, foi negado. Apesar da estratégia adotada, Paulo Bernardo garantiu que a operadora controlada pelos italianos não sofrerá nenhum tipo de tratamento diferenciado por conta disso.

"Entrar na Justiça é um direito de todas as empresas. A TIM optou por esse caminho e isso não vai impedir um diálogo, mas também não quer dizer que vamos compactuar com a situação. Tanto, que convencemos o juiz que negou a liminar à empresa", afirmou o ministro.

A TIM foi a mais afetada pela decisão tomada na quarta-feira passada pela Anatel. A operadora está impedida, desde ontem, de habilitar novos chips em 18 Estados e no Distrito Federal. A empresa detém a segunda maior fatia do mercado brasileiro de telefonia móvel, com 26,89%, atrás apenas da Vivo, que controla 29,56% do total.

Visita. A pressão italiana deve continuar. O ministro confirmou que o presidente da Telecom Itália, Franco Barnabé, planeja uma visita ao Brasil nos próximos dias. A Telecom Itália é a controladora da TIM.

Paulo Bernardo, que tem um aparelho celular da TIM, fez questão de mostrar que é um dos consumidores que não estão satisfeitos com o serviço prestado. Na sexta-feira, ao voltar dos Estados Unidos, o ministro ficou todo o dia sem acesso ao 3G de seu telefone. "E hoje (ontem) fiz duas ligações para Curitiba que caíram no meio da conversa", completou.

"Não temos nada contra a TIM, mas achamos que a qualidade do serviço não está boa no momento", concluiu.

O ministro insistiu que o governo brasileiro não quer "demonizar as empresas de telefonia ou tratá-las como vilãs", mas considerou que as companhias do setor precisam manter uma boa relação com os consumidores, "porque são eles que pagam a conta".

Bernardo lembrou que o setor investiu R$ 20 bilhões no Brasil no ano passado, mas isso não foi suficiente para evitar os problemas que levaram à suspensão das vendas de novas linhas.

"Tínhamos de adotar medidas extremas que não são para ser usadas todos os dias. A Anatel fez a medida que tinha de fazer e, embora seja drástica, o critério foi ponderado, pois o consumidor não ficou sem opções em nenhum Estado", afirmou o ministro.

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