Embaixador argentino defende cotas e Mercosul forte

O embaixador da Argentina no Brasil, Juan Pablo Lohlé, defendeu hoje as medidas argentinas para reduzir as exportações brasileiras de eletrodomésticos e cobrou também um Mercosul mais forte para negociar com a Alca e a União Européia. ?Não é verdade que a Argentina se torna protecionista quando tem déficit, mas que toma medidas quando algum setor encontra-se em risco?, afirmou, citando o aumento de 170% de exportações brasileiras de geladeiras de janeiro a maio em relação ao mesmo período do ano passado e de 125% nas de fogões no mesmo período.Em palestra na Câmara de Comércio Americana (Amcham), no Rio, Lohlé defendeu a institucionalização no Mercosul com a criação de um tribunal permanente, um parlamento comum e ?que os tratados tenham força superior às leis internas?. Com isso, disse, o Mercosul poderia negociar em igualdade de condições com os demais blocos econômicos. O embaixador considera que Brasil e Argentina devem explorar mais o fato de serem os maiores produtores mundiais de alguns produtos como soja e carnes. ?Podemos tentar fazer uma Bolsa de Chicago?, disse, referindo-se à principal bolsa de commodities do mundo.Juan Pablo Lohlé defendeu também a criação de salvaguardas no Mercosul em favor dos sócio menores ? Argentina, Uruguai e Paraguai. ?A existência de superávit comercial de sócio menor não coloca em risco a sobrevivência de nenhum setor do sócio maior mas o contrário sim?, afirmou. ?O ideal é não pegar mercado de parceiro menor?. De acordo com ele, ?a Argentina pagou muito caro o preço da abertura comercial de todos os setores? com o alto desemprego e o empobrecimento da população. ?Tem que ter vantagem recíproca: se a gente abrir um setor, tem que ser aberto outro lá?, afirmou. O embaixador da Argentina no Brasil acha difícil que um acordo para a formação da Alca seja fechado ainda este ano. Ele manifestou-se contrário a um abertura maior defendida pelos Estados Unidos, especialmente em compras governamentais e serviços, ressalvando que falava em nome pessoal e não uma posição do governo argentino. ?País que está em desenvolvimento tem que dar prioridade a empresas do País?, afirmou. Ele destacou que na área de Defesa, por exemplo, os americanos só permitem suas empresas.Lohlé disse ainda que Argentina quer revisar o acordo automotivo em 2006 para que o seu país fabrique mais carros populares ou para que participe mais na produção desse tipo de automóvel de forma complementar ao Brasil para exportar para terceiros países. ?A Argentina (no acordo em vigor) se comprometeu a fazer automóveis de luxo que é um mercado muito menor?, afirmou. ?Isso vai ter que ser rearrumado?.

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