Embaixador argentino no Brasil defende tribunal permanente

O novo embaixador argentino no Brasil, Juan Pablo Lohlé, defendeu hoje a criação de um tribunal permanente para solução de controvérsias como a única forma de melhorar as relações entre os sócios do Mercosul e dar credibilidade externa ao bloco. Perguntado pela Agência Estado sobre a origem das resistências à criação do tribunal permanente, o embaixador respondeu que "não existem razões específicas, mas quando há uma relação assimétrica, sem regras fixadas, se pensa que quem cria as regras é o maior", neste caso, o Brasil. A acusação de Juan Pablo Lolhé diz respeito, segundo ele, a alguns diplomatas, políticos e juízes brasileiros que resistem à institucionalização do Mercosul por "acreditarem que isso vai gerar mais burocracia, mas isso é um argumento mesquinho, a longo prazo". Por outro lado, ele também acusou alguns setores empresariais argentinos de serem contra o tribunal porque pensam "na oportunidade de negócios", enquanto que no Brasil, a resistência é por causa do "tamanho". Compensação e sistema de quotas O embaixador, que se apresentará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 29 de julho, foi contraditório em relação aos mecanismos de compensações, reivindicados por alguns empresários. Ele disse que "os mecanismos de compensação podem acabar descompensando" o comércio bilateral, e insistiu em que a solução para os conflitos deve partir de um diálogo e da institucionalização. Mas, em conversa com os jornalistas brasileiros, o embaixador admitiu que a adoção de um regime de quotas e preços para os setores prejudicados "poderia ser uma alternativa de mecanismos de compensação, como poderia também ser a decisão do Brasil de vender seu excedente de produção à terceiros mercados, e não escoá-lo para a Argentina".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.