Embaixador brasileiro critica proposta de argentinos

O embaixador brasileiro na Argentina, José Botafogo Gonçalves, considera que "não existe justificativa nenhuma" para a implementação de medidas de salvaguardas no Mercosul, como reivindicou o presidente da União Industrial Argentina (UIA), Alberto Álvarez Gaiani, ao ministro de Economia, Roberto Lavagna, na última quarta-feira. Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o embaixador classifica o pedido dos industriais argentinos de "inconsistente", além de levantar suspeitas sobre as intenções da entidade: "sinceramente, não tenho como interpretar de maneira construtiva essa proposta da UIA", disse Botafogo Gonçalves. Mais do que isso, ele acha que a aplicação de medidas de salvaguardas no Mercosul "não resolveria nada, nenhum problema, porque significaria o seguinte: o mercado interno argentino seria fornecido só por produtos argentinos e o mercado interno brasileiro só por produtos brasileiros", interpreta. "Se é isso o que eles estão propondo, eu só vejo inconsistências nesta proposta, sem nenhuma base concreta para realizá-la".Solução apresentadaPara o embaixador que participa das negociações do Mercosul desde o seu início, há 10 anos, a solução para os eventuais problemas no comércio bilateral é avançar na coordenação macro-econômica, "que tem uma agenda de ministros da área econômica que terá um forte impacto sobre o comércio bilateral". Botafogo Gonçalves justifica seu argumento com um exemplo: "Na medida em que, no caso do Brasil, se controla a inflação, vai se conseguir baixar as taxas de juros, e com isso, se consegue estimular investimentos e produção, o que vai gerar mais comércio. Aqui também (Argentina) querem adotar metas de inflação e aí já há uma coincidência. O sucesso destas políticas de controle de inflação vai ter um impacto na flutuação entre uma moeda e outra que será muito mais estreita do que foi no passado. Estas são as soluções adequadas".

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