Embaixador do Brasil crê no fortalecimento do Mercosul

O embaixador do Brasil na Argentina, José Botafogo Gonçalves, disse hoje que acredita que o Mercosul sairá fortalecido após a crise argentina. Ele também crê na retomada das discussões entre os dois países e que o novo governo irá priorizar o Mercosul. Durante entrevista à Rádio Eldorado AM, o embaixador afirmou que, uma vez superada a dificuldade entre Brasil e Argentina - gerada pela diferença de políticas cambiais -, se recriarão as condições para tratar da chamada "agenda positiva do Mercosul".A agenda implica na discussão da coordenação macroeconômica mais eficaz e um trabalho de coordenação de infra-estrutura e desenvolvimento para buscar a integração das cadeias produtivas dos setores industriais e agrícola dos dois países. "A crise que acabou eclodindo na Argentina com essas mudanças políticas e econômicas vai ser a melhor oportunidade do Mercosul, desde os últimos anos, de retomar uma agenda positiva que estava parada por uma divergência macroeconômica fundamental", afirmou.Para o embaixador, o país ainda busca encontrar a fórmula pela qual possa retomar a atividade econômica sem a corrida e a "quebradeira" dos bancos. Ele afirmou que a fórmula de acelerar o uso desses recursos está demorando a sair porque realmente é complicada e isso acaba gerando irritação na população argentina. "É compreensível essa irritação do cidadão argentino porque o fim da conversibilidade e da paridade não foi ainda substituído por um mecanismo ágil de circulação da moeda", analisou.Ontem, o presidente argentino, Eduardo Duhalde, disse que o país está próximo de um banho de sangue e que há uma bomba social em andamento. Para o embaixador, tais afirmações são necessárias porque, apesar de criarem angústia, alertam "a população de que o problema é muito grave, é um acúmulo de erros e enfoques que já vêm de muitos anos e que não se poderá sair disso a não ser através de um esforço comum de toda a sociedade".Ele considera que o presidente argentino está tentando reforçar a base política porque, sem o apoio da sociedade, ele terá dificuldades em executar qualquer programa econômico. "Eu tenho impressão de que ele está conseguindo solidificar sua base política", afirmou.O embaixador Gonçalves considera que o novo ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, tem mostrado indicações de que o governo restabelecerá negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) logo que consiga formular o programa econômico básico. Ele lembrou, inclusive, que cinco funcionários do FMI estão em Buenos Aires onde realizam um "exame técnico" da situação. "O ministro Remes Lenicov deverá, nas próximas semanas, ir a Washington para retomar o diálogo, seja com o Fundo, seja com as autoridades de outros países e com os banqueiros, para poder restabelecer a credibilidade financeira na Argentina", disse.Leia o especial

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