Embaixador dos EUA diz que negociações da Alca voltam este ano

As negociações para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) deverão ser retomadas ainda este ano, disse hoje o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich, ao comentar o resultado das eleições americanas, com virtual vitória do candidato republicano George W. Bush. Ele disse que será "humanamente impossível" cumprir o prazo de formatar a Alca até janeiro de 2005, mas assegurou que o livre comércio é um dos alicerces das políticas tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos. "Os dois países têm uma série de temas de interesses em comum, começando pelo livre comércio" afirmou. Danilovich não tinha detalhes sobre como as conversas serão retomadas e disse não ter informações sobre se o atual representante de comércio dos EUA, Robert Zoellick, será mantido no cargo. "Ele é um grande defensor do livre comércio e, no que diz respeito as negociações, é durão", comentou Danilovich. De acordo com o embaixador, essa é uma questão que ainda será discutida em Washington. Apoio dos Estados Unidos O embaixador confirmou também que os Estados Unidos continuarão apoiando o Brasil em sua atuação na América do Sul. "O Brasil tem sido uma força estabilizadora na região e os Estados Unidos têm apoiado seus esforços no continente, como o trabalho que vem sendo feito no Haiti", comentou. Ele admitiu que a América do Sul não foi um tema na campanha. "Não foi mencionada porque não é um problema", explicou. Danilovich disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, têm feito um trabalho "excepcional" que tem sido reconhecido no mundo inteiro. A vitória do candidato esquerdista Tabaré Vázques nas eleições do Uruguai - que se juntaria ao brasileiro Lula e ao argentino Néstor Kirchner, também mais à esquerda no espectro político - não parece preocupar o embaixador. "Não sei quão forte é a tendência", disse. Ele acha que, mais do que a ideologia, são os temas concretos que ditarão o relacionamento desses países com os EUA.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.