Embaixador vê pessimismo em representantes do Brics

Os países participantes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) ainda mostram pessimismo com a representatividade do grupo em núcleos de decisões globais, como o G-20. Para o embaixador Rubens Barbosa, que mediou nesta terça-feira uma mesa-redonda sobre o tema, promovida pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os acadêmicos do Brics avaliam ser difícil chegar a uma agenda comum dos cinco países. As diferenças entre as nações seriam não só históricas e culturais, mas também políticas e econômicas.

BIANCA RIBEIRO E WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

31 de julho de 2012 | 14h47

"Há o que eles chamam de agenda Eurásica, com China, Rússia e Índia, que não é exatamente consensual. O consenso existe em aspectos pontuais, especialmente os econômicos", disse, lembrando que também há temas conflituosos como a questão cambial, já que a China não apoia e não tem câmbio flutuante. "Mesmo assim a China é o maior parceiro comercial o Brasil."

Pelo lado econômico, os países procuram ampliar sua importância com a criação de um banco de desenvolvimento dos Brics, que financie obras de infraestrutura dos integrantes. Ao mesmo tempo, os cinco países juntos têm reservas financeiras de US$ 4,5 trilhões, o que poderia contribuir para a instituição de um fundo comum, que funcionaria como uma fonte de segurança e, essencialmente, de credibilidade no mercado.

Ainda não há cronogramas, nem para o banco nem para o fundo, mas o caminho para ganhar espaço em fóruns de decisão, como o G-20 e o Fundo Monetário Internacional, será o financeiro. "Ainda é virtual, mas consensual", descreve o embaixador.

FMI

O diretor executivo do Brasil e mais oito países no FMI, Paulo Nogueira Batista Junior, que vê o Brasil como principal beneficiário do Brics, avalia que o bloco ganhou representatividade política e econômica nos grandes fóruns globais. Como exemplo, lembra que os Brics originais são "cabeça de cadeira" na diretoria do FMI, com exceção da África do Sul, que está sub-representada.

"Quando cheguei a Washington, em 2007, os Brics não existiam. Havia uma sigla, mas os países não atuavam. A atuação começou em 2008, com iniciativa da Rússia, e mesmo com altos e baixos ela tem sido a principal aliança no FMI e no G-20 desde 2008", disse Nogueira Batista Jr.

Além disso, os ministros das Finanças do Brics se reúnem pelo menos três vezes por ano e mantêm contato. "São nações com capacidade de atuar de forma autônoma por terem grande dimensão econômica, geográfica e populacional", afirma, esclarecendo que a maioria dos demais emergentes é mais dependente dos Estados Unidos ou Europa.

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