Embaixadora do México defende Alca e fala sobre Nafta

A embaixadora do México no Brasil, Cecilia Soto González, reiterou que o governo mexicano é favorável à implantação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Porém, ela mesma admitiu que alguns setores empresariais mexicanos não estão vendo a formação do bloco com bons olhos, com medo de perder "o bolo do mercado americano" para produtos de outros países.A embaixadora observa que estes setores não têm a visão abrangente e completa que o governo do México possui: a de que, no futuro, o México vai precisar de novos mercados para seu comércio internacional. "Algum dia, o bolo do mercado norte-americano teria que ser dividido. Sabíamos que a nossa posição, como primeiro país (a ter acordo efetivo de livre comércio com os EUA) era temporária."Ela ressaltou ainda que, para negociar com os Estados Unidos, é muito melhor negociar multilateralmente do que bilateralmente. Para ela, a Alca a longo prazo vai trazer grandes benefícios para a economia mexicana.Embaixadora rebate críticas sobre NaftaA embaixadora rebateu as afirmações de que a implantação do Nafta, bloco formado por Estados Unidos, México e Canadá seria "um instrumento de política social" para o país mexicano. "Não queremos resolver o problema da pobreza mexicana com o Nafta. Isso se resolve com política governamentais corretas", afirmou. Ela observou que está ocorrendo uma certa confusão nos objetivos do Nafta para a economia mexicana.Para embaixadora, não é responsabilidade do bloco promover o combate à pobreza. Mas o governo poderia usar os benefícios angariados pela presença do país no bloco, como aumento das exportações, para atingir crescimento econômico e redução de desigualdades sociais. "Por exemplo, se ocorre um crescimento das exportações, porque não formar políticas industriais voltadas para exportação, para aproveitar isso?" indagou.RecomendaçõesEla recomendou ao Brasil que não deixe os Estados Unidos vincular leis trabalhistas e de meio-ambiente diretamente à retaliações de comércio, durante as negociações para a implantação Alca. "Isso foi sugerido durante a formação do Nafta e não aceitamos. A idéia era que, se ocorresse um problema ambiental no México, os Estados Unidos poderia retaliar o México comercialmente", afirmou. Para resolver isso, foi criado dentro do Nafta um acordo paralelo de meio-ambiente que tem funcionado bem, segundo a embaixadora.

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