André Dusek/Estadão
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Para embaixadora dos EUA, momento é difícil, mas relação com o Brasil é de longo prazo

No Rio, a diplomata Liliana Ayalde afirmou que cenário também é de oportunidades; embaixadora mencionou frentes abertas para parcerias comerciais em 30 setores

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 14h00

RIO - A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde, reforçou a intenção do país de estreitar laços comerciais com o Brasil apesar do "momento difícil". Em visita à Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) nesta terça-feira, 15, ela manteve o tom diplomático ao comentar a perda do grau de investimento pelo País na semana passada e afirmou que o compromisso das empresas norte-americanas com o mercado brasileiro é de longo prazo.

"Tenho me reunido com empresas americanas e o compromisso é de longo prazo. Reconheço que o momento é difícil, mas acredito na força das instituições brasileiras. O momento difícil é também de oportunidades", disse. A visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, em junho, marcou a retomada dos esforços para ampliar as relações comerciais entre os dois países.

O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos gira hoje mais de US$ 100 bilhões anuais em bens e serviços. O país de Barack Obama é também uma das maiores fontes de investimento estrangeiro direto no Brasil, com US$ 79 bilhões investidos. Já os aportes de empresas brasileiras nos Estados Unidos mais que triplicaram nos últimos cinco anos, ultrapassando os US$ 14 bilhões. As subsidiárias americanas de empresas brasileiras empregam, segundo Liliana, mais de 76 mil trabalhadores.  "Como a sétima economia mundial e o nono maior parceiro comercial dos EUA. O Brasil se tornou um mercado vital para as empresas americanas", disse a diplomata.

A embaixadora mencionou frentes abertas para parcerias comerciais em 30 setores após a visita da presidente Dilma com destaque para aviação, infraestrutura e segurança, que terá a Rio 2016 como uma porta de entrada. Segundo a embaixadora as companhias norte-americanas têm interesse em participar de concessões de aeroportos regionais, portos, ferrovias e rodovias. Para viabilizar essa participação a embaixada vem dando informações ao governo brasileiro sobre o modelo que permitiria a atração desses grupos em consórcio com parceiros locais.

Questionada sobre a turbulência política e os escândalos de corrupção no País, a diplomata disse apenas que os americanos seguem monitorando seus desdobramentos: "Estamos focados em buscar oportunidades. A parceria com o Brasil é contínua".

Visto. Em relação à liberação do visto para a entrada de brasileiros nos Estados Unidos a embaixadora disse que o objetivo no curto prazo é concretizar até o primeiro semestre de 2016 o acordo fechado em junho entre os dois países para facilitar o trânsito de viajantes frequentes no território norte-americano. O Brasil passará a fazer parte do programa Global Entry, que permite em alguns casos a entrada nos Estados Unidos sem enfrentar as filas da imigração. A isenção do visto para brasileiros, entretanto, é segundo ela um processo mais complexo e que dependerá de negociações de mais longo prazo.

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