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Embaixadora dos EUA se reúne com setor siderúrgico

O setor siderúrgico brasileiro se reunirá na próxima sexta-feira com a embaixadora dos Estados Unidos no País, Donna Hrinak. O encontro acontecerá cinco dias antes do prazo final para análise, pelo governo americano, dos pedidos de exceção feitos às salvaguardas para a importação de aço. As siderúrgicas brasileiras sabem que a decisão americana contemplará os interesses locais, mas contam com pressões internas, que agora chegam à esfera de grandes clientes, como a Ford, que encaminhou pedido de exclusão de cotas."Não tem nenhum agente externo para convencer a administração americana", comentou o presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), José Armando de Figueiredo Campos, ao explicar que a principal fonte de pressão é mesmo interna. O executivo disse que agora a pressão vem não apenas das siderúrgicas, mas dos seus consumidores, citando o fabricante de automóveis e a Carterpillar. A Ford, disse Figueiredo Campos, pediu exclusão da cota para um tipo de placa de aço revestido, que é fabricado no Brasil.Na última semana, a embaixadora americana já havia dado sinais de que seu governo não iria levar em conta a ameaça do Brasil de iniciar uma disputa no âmbito na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas as necessidades das indústrias americanas, ao analisar a possível isenção de produtos siderúrgicos brasileiros. As medidas protecionistas entraram em vigor em março deste ano. A questão, segundo o presidente do IBS, é que as siderúrgicas americanas não formam um "bloco monolítico" e há divergências quanto às medidas adotadas. Figueiredo Campos informou que em alguns produtos os preços em dólar no mercado americano já subiram entre 40% e 50%, do primeiro para o segundo semestre do ano. Ele explica que grandes produtores integrados americanos com problemas financeiros ganham com os maiores preços que passaram a ser cobrados internamente. Um outro grupo de siderúrgicas, que investiu, se modernizou e hoje se vale da importações de aço, saiu prejudicado.O executivo voltou a comentar que siderúrgicas americanas têm buscado o mercado brasileiro, à procura de placas de aço. Mesmo afirmando que a maior pressão será a que vem de dentro do mercado americano, o executivo disse que o setor brasileiro está fazendo sua parte. Apesar da data prevista para a determinação final sobre as exceções, Figueiredo Campos disse que a decisão poderá ser adiada, citando declarações de autoridades americanas, dando conta do elevado volume de pedido para análises, acima de 800 casos.O presidente do IBS participou hoje de almoço na Câmara de Comércio Americana, no Rio. Traçou um cenário sobre o setor, que deverá aumentar em 12% a produção este ano, com um avanço de consumo estimado em 5%. O aumento da produção, explicou, decorre basicamente do fato de algumas siderúrgidas terem paralisado plantas para reformas em 2001. Demonstrou ainda que o Brasil tem vem perdendo a condição de exportador de produtos acabados desde a década passada.Ao final, recebeu a manifestação de apoio da presidente da Câmara, Gabriela Icaza, que ofereceu maior apoio ao setor siderúrgico brasileiro. "O IBS não dispensa parceria e quer contar com a inclusão das Câmaras Americanas do Rio e de São Paulo na ofensiva de defesa do nosso mercado e também no trabalho de acesso dos nossos produtos aos mercados", afirmou Figueiredo Campos.

Agencia Estado,

24 de junho de 2002 | 18h34

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