Embaixadores do Mercosul discutem livre-comércio com UE

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, embarca nesta quarta-feira para Lisboa junto com seus três colegas do Mercosul para um último esforço no sentido de fechar um acordo de livre comércio com a União Européia (UE). O grupo vai encontrar-se com o comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy, e levará uma proposta melhorada. Esta, porém, só será colocada na mesa se a UE também melhorar sua oferta."Será um esforço adicional, seguindo à orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que considera esse acordo estratégico", disse o diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty, embaixador Regis Arslanian. Essa foi a mesma informação dada a um grupo de representantes de todos os ministérios, que se reuniram nesta segunda no Itamaraty para discutir as perspectivas do acordo."Esse acordo só poderá existir se houver disposição por parte dos europeus não só de negociar, como também de viabilizar sua oferta", disse o embaixador. "Como está, é inviável."Se os europeus não se mostrarem dispostos a um entendimento, os representantes do Mercosul passarão para o que Arslanian chamou de "segundo cenário". Ou seja, discutir como será possível prosseguir com as negociações. "Há um legado que não deve ser perdido", disse o embaixador. Ele lembrou que passaram-se anos de negociação até que Mercosul e União Européia chegassem ao ponto em que estão hoje. "Fizemos ofertas importantes, como nunca apresentamos a ninguém", ressaltou.Os dois blocos chegaram ao ponto de concordar em reduzir ou eliminar tarifas de importação para 90% dos produtos do comércio bilateral. "Há um desequilíbrio (entre as ofertas do Mercosul e da UE), mas não se pode perder isso", defendeu Arslanian. O embaixador acredita que, caso fique claro que o acordo terá de ser negociado com a próxima comissão, que toma posse em novembro, o que poderá sair do encontro com Lamy será algo mais político, no sentido de reafirmar a intenção de seguir negociando. O sucessor de Lamy, o inglês Peter Mandelson, já disse que o Mercosul ocupa a quarta posição em sua lista de prioridades.

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