Embargo da China atinge balança do agronegócio, diz Abiove

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, afirmou hoje que, na prática, o País está impedido de exportar soja para o mercado chinês. Hoje, o governo brasileiro foi notificado de forma oficial da decisão da China de proibir a compra de soja brasileira fornecida por outras 15 empresas. No total, 23 tradings estão proibidas de vender para o mercado chinês. Essas 23 empresas cobrem a maior parte das exportações de soja do Brasil para a China, comércio que somou cerca de 6 milhões de toneladas e rendeu US$ 1,3 bilhão ao País em 2003. Lovatelli alertou, em entrevista à Agência Estado, que se a China mantiver o embargo à soja brasileira, as estimativas para a balança comercial do agronegócio poderão cair de forma significativa.Ele não citou valores, mas disse que a projeção atualizada divulgada ontem pela Abiove de receita cambial do complexo soja de US$ 9,868 bilhões em 2004 "é muito otimista". "Com as restrições de compra da China, já reduzimos em US$ 1 bilhão a estimativa de faturamento com as exportações. Sem uma solução rápida, a queda será ainda maior", disse ele.?Os chineses estão sendo bizarros, eles não têm critério?Segundo Lovatelli, a expectativa dos exportadores de soja é que a publicação da Instrução Normativa 15, com regras mais severas para a mistura de sementes tratadas com fungicidas em carregamentos, resolvesse o problema com a China. "Mas o impasse deixou de ser uma questão técnica para se tornar um assunto de interesse específico da China, de caráter político, comercial e financeiro", comentou. Para ele, não adianta governo e iniciativa privada adotarem mecanismos de controle para garantir as exportações, pois os chineses continuarão criando restrições. "Tolerância zero é intolerante. Os chineses estão sendo bizarros, eles não têm critério", afirmou.?Precisamos de uma ação na área política"O presidente da Abiove cobrou do governo brasileiro uma articulação com a China com o propósito de rever o embargo imposto à soja brasileira fornecida por 23 empresas. "É importante um contato entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo da China. Precisamos de uma ação na área política", afirmou Lovatelli. De acordo com ele, "com a proibição, a China não está colocando numa lista negra uma relação de 23 empresas, mas todo o País".Carlo Lovatelli disse que visita de técnicos do Ministério da Agricultura à China serve para esclarecer os critérios adotados pelo Brasil para reduzir, ao mínimo, a mistura de sementes tratadas com fungicidas em carregamentos de soja. A assessoria de imprensa do ministério divulgou hoje que a visita oficial foi transferida para a próxima semana.

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