Embargo russo pode pressionar preços do mercado internacional de alimentos

Com bloqueio das importações de EUA e União Europeia e outros países, concorrência entre exportadores deve ficar acirrada

Dow Jones Newswires

08 de agosto de 2014 | 10h14

NOVA YORK - A decisão da Rússia de bloquear as importações de alimentos de Estados Unidos e União Europeia pode aumentar a concorrência em outros grandes mercados de exportação, como a Ásia e Oriente Médio, provocando uma pressão de preços - afirmou a empresa de pesquisa de mercado australiana IBISWorld.

O presidente russo Vladimir Putin assinou um decreto, na quarta-feira, 6, embargando ou impondo limites às importações de produtos agropecuários de países que impuseram sanções à Rússia. A atitude foi uma retaliação à maior sanção econômica imposta ao país desde a Guerra Fria. Estão na lista Estados Unidos, Canadá, União Europeia, Austrália e Noruega.

A Austrália pode ser um dos maiores prejudicados. A IBISWorld prevê que a medida terá um impacto de quase US$ 200 milhões de dólares australianos por ano. Ainda de acordo com a empresa, a Austrália poderia buscar incrementar vendas para outros países, como forma de compensação. Mas EUA e UE também terão que encontrar, de forma rápida, novos mercados para escoar a produção que anteriormente era destinada à Rússia, disse a companhia de pesquisa.

Tim Harcourt, da escola de negócios da University of New South Wales, disse que a proibição pode prejudicar as exportações agrícolas australianas de trigo, lácteos, carne de boi e de canguru. 

"A Rússia é o nosso principal mercado de exportação de carne de canguru", afirmou. "Os ativistas dos de movimentos dos direitos dos animais estão aplaudindo a decisão de Putin", acrescentou.

A proibição foi classificada como "abrangente" pela Nova Zelândia, que não está na lista de países impedidos de vender para a Rússia. "É motivo de preocupação para o governo e para os parceiros do país", afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Comércio, em entrevista ao The Wall Street Journal. De acordo com ele, o país ainda está "avaliando o impacto que isso pode trazer para o comércio local e para o mercado global".

Para o banco Goldman Sachs, a neozelandesa Fonterra pode se beneficiar da decisão da Rússia, já que o país é um grande importador de leite e compra volumes significativos da Ucrânia e da UE, que agora estão proibidos de fornecer ao país.

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