Embargo russo põe indústria gaúcha de carne suína em crise

Uma combinação de fatores colocou a indústria gaúcha de carne suína em crise, comparada pelos dirigentes a um dos piores momentos vivido pelo setor, em 1978. Na época, a ocorrência de peste suína africana no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro derrubou o consumo. Agora a dificuldade é liderada pelo embargo que a Rússia impôs à produção brasileira por causa da febre aftosa, afetando os estados com indústrias habilitadas a exportar ao país asiático. A produção industrializada antes de 12 de dezembro foi embarcada para a Rússia até fevereiro. Depois dessa data, a fatia que seria exportada começou a pesar nos estoques, que já somam 60 mil toneladas no Rio Grande do Sul, conforme estimativa do setor. O volume habitual seria de até 20 mil toneladas.Os estados com capacidade de exportar o produto são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiânia.PaísesAo todo, 56 países mantêm embargos à carne suína por causa dos registros de febre aftosa em Mato Grosso do Sul e Paraná, mas o maior dano é causado pela Rússia, que no ano passado recebeu 404 das 625 mil toneladas exportadas pelo Brasil. A observação foi feita pelo diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos (Sips) do RS, Rogério Kerber. O Rio Grande do Sul enviou à Rússia 89 das 161 mil toneladas exportadas em 2005. Perto de cem países recebem carne suína gaúcha, mas aqueles que seguem comprando não importam quantidades suficientes para compensar a perda do mercado russo. "A situação é dramática", avaliou Kerber.Mercado internoO mercado interno não é capaz de absorver a parcela que seria exportada e, para piorar o quadro, a carne suína sofre a concorrência do frango barato, que teve o preço afetado pela gripe aviária, descreve o diretor comercial do frigorífico Mabella, Darci Mariotti. A empresa, de Frederico Westphalen (RS), tem 4 mil toneladas estocadas, quando o normal seria contar com 800 a 1.000 toneladas.O Mabella vende 40% a 45% da produção para o exterior, sendo que a Rússia é seu maior comprador fora do Brasil. O frigorífico abateu 370 mil suínos em 2005 e previa chegar a 450 mil este ano, mas o plano está ameaçado pela crise. Se não houver a reabertura do mercado russo, a companhia não vê mais alternativas para armazenar o estoque, contou Mariotti.PreçoO preço de carne suína caiu 30% desde dezembro, para a faixa entre R$ 1,30 e R$ 1,40 por quilo do animal vivo, comparou Kerber. No último sábado, as indústrias de carne suína fizeram uma reunião em Porto Alegre para avaliar a situação. Como o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, estava na capital gaúcha, também participou do encontro e recebeu um relato do quadro. As empresas de logística e armazenagem afirmam que as dificuldades se repetem nos demais estados das regiões Sul e Sudeste.

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