Embarque de soja sairá de Ilhéus para Salvador

A direção da Cargill, multinacional norte-americana exportadora de soja, passará a embarcar o produto a partir do porto de Cotegipe, em Aratu, Salvador, em vez de Ilhéus, no Sul da Bahia. O objetivo é buscar um terminal portuário com maior capacidade de armazenagem e de calado por conta dos planos de expansão da produção de soja. Na avaliação dos dirigentes, o terminal privado de Aratu oferece melhores condições de logística de operações.O primeiro embarque por Aratu foi programado para a tarde desta quinta. Cerca de 20 mil toneladas do produto seguirão para a Europa. Anualmente, a previsão é de uma transferência de movimento de um total de 200 mil toneladas de Ilhéus para Cotegipe.A estratégia favorecerá uma redução nos custos operacionais da multinacional, por conta das vantagens oferecidas pelo terminal privado de Aratu, gerenciado pela empresa com sede no Ceará, M. Dias Branco, e operado em parceria com o Grupo TPC.A direção da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), manifestou sua preocupação com a decisão da Cargill, pois além de enfraquecer o movimento em Ilhéus, pode ser imitada por outras empresas de grande porte.Decadência Uma das principais cidades baianas, com cerca de 250 mil habitantes, e uma das mais antigas do Brasil, Ilhéus vem sofrendo com a decadência na economia, desde a queda na lavoura de cacau, que era o principal produto da região e enfrenta os efeitos de uma praga chamada "vassoura-de-bruxa".A assessoria da Codeba informou que somente a ausência da Cargill vai deslocar de Ilhéus para Cotegipe uma receita portuária de R$ 800 mil anuais, o que significa cerca de 20% na movimentação de cargas de soja.Em receita tributária, o município terá prejuízos anuais de R$ 1,5 milhão. A situação só não ficará mais grave porque a vinda da multinacional norte-americana Cargill para Cotegipe não sera seguida, pelo menos por enquanto, pelaBunge, quepermanece operando com soja em Ilhéus. O presidente do Sindicato dos Estivadores de Ilhéus, por sua vez, lamentou a decisão da Cargill, por conta da ameaça de redução de serviço para a categoria no porto, e criticou o governo federal pelo que considerou "fragilidade da administração pública nos portos".A multinacional Cargill chegou ao Brasil há 40 anos para atuar no ramo de agronegócios. A empresa tem 23 mil empregados em unidades industriais e escritórios de 178 municípios brasileiros e atua em 61 países.

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