Tony Avelar/AP - 28/10/2021
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Fábio Gallo
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Embora o metaverso traga oportunidades, é ainda um campo de alto risco

Será que estamos dispostos a trocar bens físicos a que damos valor como casas, carros, joias, viagens por versões digitais?

Fábio Gallo*, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2022 | 04h00

Se você pudesse escolher entre a dura realidade ou viver melhor no mundo virtual, qual a sua opção? Essa é uma questão que já está sendo posta para todos nós. A possibilidade de escolha entre os dois mundos está se tornando realidade. Esse ambiente é conhecido como metaverso, uma espécie de lugar online, combinando realidade virtual, realidade aumentada, internet, experiências de entretenimento, jogos e vida no ambiente digital.

A ideia por trás de tudo isso é que sua identidade e bens sejam multiplataforma e transportáveis. Assunto que ganhou todas as atenções quando, em outubro de 2021, o Facebook mudou seu nome para “Meta” e Mark Zuckerberg anunciou que estávamos num novo capítulo da internet, o Metaverso, onde passaríamos a viver na experiência, e não apenas olhando para ela. 

O metaverso tem se tornado a coisa mais empolgante para os investidores nestes tempos, repleto de amplas oportunidades para pessoas que entram no momento certo. A Meta e outras organizações têm se dedicado para tornar o metaverso uma realidade muito lucrativa. Hoje se fala no potencial de renda anual desse universo na casa de US$ 1 trilhão. Estão presentes nesse mundo empresas como Nike, Ralph Lauren, Adidas, Itaú, Stella Artois, Lojas Renner, Disney, Tinder, NVIDIA e Fortnite

Uma primeira maneira de investir no metaverso é comprando ações de empresas que têm modelos de negócios ligados a esse ambiente digital. Como possibilidade no exterior temos a Meta Platforms Inc., Roblox, Boeing, Microsoft, NVIDIA. No Brasil já temos fundos de investimentos dedicados exclusivamente a aplicar recursos no metaverso. 

Mas, podemos, também, gastar dinheiro diretamente nesse ambiente, consumindo ou investindo de forma virtual, por exemplo comprando imóveis. Esse mundo ainda está em sua primeira infância, mas plataformas como The Sandbox e Decentraland já começaram a vender imóveis digitais na forma de tokens não fungíveis (NFTs). Quando alguém compra um imóvel no mundo digital, a rede blockchain verifica a venda e transfere a propriedade. 

Embora as oportunidades sejam grandes, ainda é um campo de altíssimo risco. Você está investindo dinheiro “real” no mundo “virtual”. Será que estamos dispostos a trocar bens físicos a que damos valor como casas, carros, joias, viagens por versões digitais? O metaverso ainda tem de evoluir. Muitos recursos serão demandados para a infraestrutura necessária. 

Outro problema é que os nossos dados e até nossas características pessoais ficaram muito mais expostos. O mundo virtual nos propõe uma vida sem dores e feliz, mas a linha entre sonhos utópicos e ilusões perigosas é muito tênue. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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