Embraer abre primeiras fábricas na UE

Com duas unidades em Portugal, que vão produzir componentes para seus aviões, empresa avança no processo de internacionalização

WANIA MARIA WESTPHAL, ESPECIAL PARA O ESTADO, ÉVORA, PORTUGAL, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h10

A Embraer inaugurou oficialmente ontem suas duas primeiras fábricas em solo europeu. A empresa vai produzir na cidade de Évora, em Portugal, componentes para aviões, como equipamentos metálicos e compósitos - estruturas grandes (incluindo caudas e asas) e semiplanas, feitas à base de fibra de carbono. O investimento nas novas fábricas foi de 177 milhões.

"A decisão de investir em Portugal é muito mais estratégica que econômica, porque a Embraer está num processo de internacionalização", disse o presidente da companhia brasileiro, Frederico Curado, que participou da inauguração das fábricas. "Na Aeronáutica, temos um mercado estável; há uma certa redução em toda a indústria, mas (na aeroespacial) há estabilidade e a perspectiva até de um pequeno crescimento." As fábricas ocupam uma área de 60 mil metros quadrados no Parque Industrial de Évora (a 5 quilômetros do centro histórico).

Para erguer as fábricas, um projeto anunciado em 2008, a empresa brasileira contou com incentivos do governo português. "Por uma questão de confidencialidade, não divulgamos o tipo de incentivo que é dado, mas vão desde o investimento direto até (o investimento) em educação, em escolas técnicas, laboratórios, foi um investimento importante em Évora", disse Curado.

Terceira maior fabricante global de aviões, atrás apenas da europeia Airbus e da americana Boeing, a Embraer vem apostando na internacionalização de suas operações. No início do ano passado, inaugurou sua primeira fábrica nos Estados Unidos, na Flórida. A empresa conta também com uma unidade na China, atualmente parada, à espera de aval do governo para iniciar a produção de jatos executivos.

Manifestação. O presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, também esteve presente à inauguração das fábricas da Embraer. E foi alvo de manifestações de cerca de trezentos trabalhadores da região - que ficaram longe, mas fizeram muito barulho. Portugal é um dos países mais atingidos pela crise financeira que ronda a Zona do Euro.

Ao deixar o local do evento, Cavaco Silva falou por cinco minutos com os jornalistas portugueses e brasileiros que se amontoavam por trás de uma faixa colocada pelo cerimonial, perto dos carros da comitiva. Não estavam previstas declarações do presidente. "Esta é uma democracia. Todas as pessoas têm a liberdade de fazer ouvir a sua voz", disse.

Cavaco Silva também falou sobre o Conselho de Estado, que se reuniu esta semana para discutir os rumos do País em relação à crise: "Eu tenho a forte esperança de que, por meio de algo construtivo, nós consigamos ultrapassar as atuais dificuldades, tendo presente que temos um acordo internacional, assinado por um governo anterior, que não podemos deixar de cumprir. Mas temos de ter em conta os interesses das famílias, das empresas, e mostrar aos portugueses em geral que há equidade na distribuição dos sacrifícios."

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