David Becker/Reuters - 21/10/2019
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Embraer corta 15,6% dos funcionários no Brasil

Empresa anunciou hoje que vai dispensar 900 empregados; outros 1,6 mil haviam aderido a planos de demissão voluntária

André Vieira e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 09h05
Atualizado 04 de setembro de 2020 | 09h49

A Embraer anunciou, nesta quinta-feira, 3,  a demissão de 900 funcionários que trabalham nas unidades da empresa no Brasil. Outros 1,6 mil aderiram a planos de demissão voluntária, que foram propostos desde julho. Antes da pandemia, a fabricante de aviões tinha 20 mil empregados, sendo que 16 mil deles operavam no Brasil.

No total, 15,6% da mão de obra da companhia no Brasil será desligada. Considerando também as operações internacionais, serão 12,5%. O tamanho do corte é semelhante ao realizado pelas outras fabricantes de aeronaves em meio à pandemia da covid-19. A americana Boeing já anunciou a demissão de 16 mil funcionários, o equivalente a 15% do total. Na europeia Airbus, foram 15 mil trabalhadores (10%).  

Segundo o comunicado da Embraer, as demissões estão relacionadas aos efeitos causados pela pandemia na economia global e pelo cancelamento do acordo com a norte-americana Boeing. "O objetivo é assegurar a sustentabilidade da empresa e sua capacidade de engenharia", justificou a Embraer no comunicado.

Desde junho, a companhia brasileira vem se reestruturando. Quatro vice-presidentes e vários diretores foram substituídos nos últimos meses. Em julho, o clima já era de tensão entre os engenheiros com a possibilidade dos desligamentos, conforme reportou o Estadão.

Antes mesmo da crise decorrente da pandemia, que paralisou o setor aéreo, a empresa já tinha quase metade de seus 5 mil engenheiros parcialmente ociosos, segundo apurou o Estadão. Com grandes projetos concluídos recentemente, como os desenvolvimentos do cargueiro militar C-390 Millenium e da família de aviões comerciais E2, a demanda pelo trabalho desses profissionais despencou internamente.

A empresa diz que a pandemia afetou em especial suas operações na aviação comercial - alvo do fracassado acordo de venda para a Boeing. No primeiro semestre de 2020, as entregas de aviões apresentaram queda de 75% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Embraer admite que a situação se agravou com a duplicação de estruturas para atender à separação da aviação comercial, "em preparação à parceria não concretizada por iniciativa da Boeing, e pela falta de expectativa de recuperação do setor de transporte aéreo no curto e médio prazo."

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos afirma que as demissões foram feitas sem negociação com a entidade e organiza uma assembleia na tarde desta quinta-feira para debater as demissões. Segundo a Embraer, no entanto, houve conversas com outros sindicatos, mas o de São José do Rio Preto teria se mostrado inflexível.

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