Embraer apresenta supercargueiro e negocia venda de mais 32 unidades

Além do contrato de R$ 7,2 bilhões com Força Aérea Brasileira, que vai adquirir 28 aeronaves, fabricante tem cartas de intenção de compra de 5 países

LUCIANA COLLET, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2014 | 02h06

GAVIÃO PEIXOTO - A Embraer apresentou, ontem, o primeiro protótipo do avião cargueiro KC-390, desenvolvido em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB). Com investimentos estimados em R$ 4,6 bilhões, essa é a maior aeronave já produzida no País. A expectativa da empresa é de que o primeiro voo aconteça até o fim do ano, para que, em seguida, sejam realizados os testes. As entregas estão previstas para começar em 2016.

Por enquanto, o único cliente firme da fabricante brasileira é o Comando da Aeronáutica, que tem um contrato para a aquisição de 28 aeronaves ao longo de dez anos, com a primeira entrega programada para o fim de 2016. O valor total do contrato é de R$ 7,2 bilhões e inclui também o fornecimento de um pacote de suporte logístico com peças sobressalentes e manutenção. Além disso, a empresa diz ter assinado 32 cartas de intenções com outros países como Argentina, Chile, Colômbia, Portugal e República Tcheca.

O KC-390 é um jato bimotor, com capacidade de 23 toneladas e velocidade de até 870 quilômetros por hora, que pode ser usado como reabastecedor aéreo, no transporte militar, em operações de busca e salvamento, resgate e evacuação, e em operações humanitárias. "Esse avião tem um conceito novo em relação aos aviões de transporte de carga e pessoas de categoria média", disse o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Jackson Schneider. "Estamos estabelecendo um novo paradigma com relação a esse tipo de produto, que pode ser utilizado para diversas aplicações."

Segundo ele, o KC-390 também se destaca por suas configurações de aviônica (sistemas elétricos e eletrônicos das aeronaves), capacidade de carga, e menor custo no ciclo de vida. Schneider não revelou preços porque diz que eles serão definidos com cada cliente, dependendo das especificidades exigidas.

A estimativa da Embraer é de que nos próximos 15 anos serão vendidos cerca de 700 cargueiros desse porte no mundo. Em maio, executivos da empresa chegaram a declarar que a meta era ter entre 15% e 20% desse mercado, mas agora Schneider se restringiu a dizer que pretende "ter uma boa fatia".

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No último trimestre, o avião ajudou a impulsionar a carteira de pedidos da Embraer em mais de 20%, para o patamar recorde de US$ 22,1 bilhões.

Presente na cerimônia, o ministro da Defesa, Celso Amorim, destacou que o projeto envolve a cooperação internacional com três continentes, já que conta com parceria industrial com Argentina, Portugal e República Tcheca. "Tenho certeza que será um sucesso tão grande quanto outros projetos desenvolvidos com a FAB, como o Bandeirante e o super Tucano", disse o ministro. "É um projeto de Estado... Tudo aquilo que fazemos com aqueles velhos (cargueiros) Hércules que estão se aposentando no mundo inteiro poderemos fazer com o KC-390." 

Adaptação. A Embraer poderá, no futuro, adaptar o seu cargueiro militar, para uso civil, no mercado de cargas especiais. O diretor do programa KC-390, da Embraer Defesa e Segurança, Paulo Gastão, lembrou que essa possibilidade sempre foi considerada no projeto. Ele ressaltou, no entanto, que o uso da aeronave no transporte de carga não militar só seria competitivo em nichos específicos, como o de petróleo e o de mineração. 

Gastão comentou que, no mercado de cargas, as empresas possuem alternativas mais baratas, e destacou em particular a conversão de aeronaves de passageiros com mais tempo de uso, em aviões de carga, a baixo custo. 

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