Embraer assina contrato para venda de aviões a grupo chinês

O presidente da Embraer, Maurício Botelho, assinou nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, o primeiro contrato de venda de aviões da estatal para o grupo HNA, quarta empresa aérea da China. O valor do contrato é de US$ 2,7 bilhões. A cerimônia de assinatura contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse é o maior contrato assinado pela Embraer nos últimos três anos. O presidente da estatal afirmou, em entrevista coletiva, que o contrato é importante, não só pelo seu valor expressivo, mas também porque é a confirmação de quão correta foi a estratégia da empresa de se estabelecer na China com parceiros fortes. O contrato prevê a venda de 50 aviões ERJ 145, que serão fabricados no China por meio da joint-venture da Embraer com Avic II, e a fabricação de 50 aviões Embraer 190 no Brasil, na fábrica da estatal em São José dos Campos (SP). Maurício Botelho informou que o contrato ainda dá a opção de fornecimento de outras 100 aeronaves. Ele não soube precisar, no entanto, em quanto tempo esse direito de opção precisa ser exercido. Segundo o presidente da Embraer, o contrato representa uma forte conquista do Brasil, já que o mercado de aviões chinês é o que mais cresce no mundo. Ele previu que o mercado para o qual a Embraer exporta terá cada vez mais participação da China. Hoje, segundo Botelho, 70% das exportações da Embraer vão para os Estados Unidos, 25% para a Europa, e 5% para o restante do mundo, e menos de 2% para a China. Botelho disse que as 100 aeronaves serão entregues nos próximos cinco anos. Nesse período, a Embraer entregará outros 800 aviões para outros mercados. Segundo o presidente da estatal, a assinatura do contrato com a empresa chinesa não altera a previsão de entrega de aeronaves para 2007 - que é de 150 unidades. Botelho disse, porém, que não serão necessários novos investimentos na unidade mantida pela Embraer na China, mas admitiu que poderão ser feitos na unidade de São José dos Campos para aumentar a produção. Fez, entretanto, a ressalva de que ainda não é possível falar em valores. Nesta quarta foi assinado também um acordo que amplia a joint venture entre a Embraer e a Avic II. Botelho explicou que esse contrato significa um processo de capacitação industrial que vem se intensificando. Ele afirmou que, a partir de agora, algumas partes das aeronaves passarão a ser fabricadas na unidade da Embraer na China. Nas etapas anteriores, peças eram enviadas para a China, e a montagem era feita lá. Potencial chinêsO chairman do grupo chinês HNA, Cheng Feng, afirmou nesta quarta, após a assinatura do contrato com a Embraer, que a indústria de aviões na China tem um grande potencial e precisa crescer rapidamente para acompanhar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do país. Segundo Cheng, a previsão é de que, em cinco anos, o PIB da China passe a ser o segundo do mundo. Ele previu que, ao longo dos próximos cinco ou seis anos, a demanda por novas aeronaves será de 1.000 unidades, das quais 300 aeronaves regionais. "Isso é uma blindagem muito grande para o fabricante de avião regional. E, como a China tem sua própria indústria de aviões, sinceramente, ela não vai entregar todo esse mercado para os fabricantes estrangeiros", disse o chairman. Ele fez elogios à qualidade dos aviões fabricados pela Embraer. "Não imaginava que o Brasil fabricava aviões tão bons. É uma grande glória do Brasil colocar esses produtos no mercado mundial", afirmou Cheng. O presidente da Embraer, Maurício Botelho, disse que a participação do governo brasileiro - principalmente dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - foi importante para o fechamento do contrato de venda de 100 aviões da estatal para a HNA. "O governo brasileiro agiu fortemente nesta ação. Mas não é só o governo brasileiro que apóia esse tipo de operação. Todos os governos protegem as indústrias que trazem valor para o seu país", comentou. Botelho desvinculou a assinatura do acordo de hoje da decisão do Brasil de reconhecer a China como economia de mercado. "São coisas dissociadas. É uma operação de per se." O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu no ano passado o compromisso de reconhecer a China como economia de mercado, mas o Brasil ainda não oficializou o reconhecimento, porque a China não cumpriu as contrapartidas exigidas pelo governo brasileiro. Uma das exigências, agora cumprida, é justamente a compra de aviões da Embraer. A compra criou expectativa de que o governo chinês aumente a pressão para que o Brasil oficialize o reconhecimento da China como economia de mercado. O reconhecimento dificulta a colocação de barreiras a produtos chineses acusados de prática de dumping. Por isso, o compromisso brasileiro foi duramente criticado pelos empresários brasileiros. Matéria alterada às 18h10 para acréscimo de informações

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